03/04/2014 – 08h42
Entretido com o pau comendo no lombo de Dilma Rousseff ontem à tarde no Senado por conta do rombo bilionário causado à Petrobras pelo afilhado de Delcídio do Amaral e como André Puccinelli havia prometido anunciar na manhã desta quinta-feira sua tão esperada decisão de renunciar ou não, resolvi esperar para ver o que ia dar. Mas, ali pelas quatro da tarde, o bicho carpinteiro deu um bizu. Pulei da cadeira do papai pensando no texto que havia escrito em fevereiro do ano passado e resolvi armar uma confusão na cabeça dos internautas. Uma boa confusão. Mais que uma aposta, um risco. Ao final, como se viu, funcionando mais uma vez o que parece ser uma telepatia entre o blogueiro e o governador. Um pouquinho antes das cinco, lá estava em meu Facebook: “André Puccinelli desiste do Senado, abrindo caminho para Murilo tentar o governo”. Nem deu tempo de repercutir. Às 17h38 era o próprio André, no mesmo Face, anunciando oficialmente, para desespero de um monte de gente, da política e da mídia, que não renunciaria para disputar o Senado.
Na verdade, e na contramão de tudo o que estava rolando nos bastidores e em respeitáveis órgãos de imprensa, como Correio do Estado, cujo diretor, Antônio João Hugo Rodrigues, chegou a promover um almoço em seu cafofo com a presença do governador para tentar arrancar um furo quanto à candidatura senatorial, continuava acreditando no que havia escrito lá atrás. Tanto que, ao postar no Facebook o texto “antigo”, pretendia repeti-lo hoje, desde que se confirmasse minha previsão. Sem pôr nem tirar nada. Inclusive no tocante à candidatura de Murilo Zauith. Aliás, para quem amanheceu meio sem rumo, uma leitura mais atenta deste texto vai ajudar a entender as razões de André Puccinelli para continuar governador.
Mais tarde, refestelado no mesmo cadeirão e conferindo os horários das postagens do anúncio do dia do fico de Puccinelli nos principais sites, todos depois da pegadinha de minutos antes, tive a ideia e até prometi que o título do post de hoje seria “As viúvas de André Puccinelli – parte II”. Para quem não se lembra, e só para comprovar que essa coisa de telepatia vem de longe, num texto, à época ainda publicado em O Progresso, em 2 de abril de 2002, gabava-me por haver antecipado “A difícil decisão de André”, em 27 de março do mesmo ano. Neste primeiro, quando todo mundo apostava que ele deixaria a prefeitura de Campo Grande para disputar o governo do Estado, eu contrariava, como sempre, anunciando que ele não renunciaria. No segundo, falando da orfandade que ele deixaria. Ou, as viúvas, tudo gente de olho gordo no governo que ele havia decidido disputar só em 2006.
Por uma dessas voltas que o mundo dá o nome mais ilustre entre os das viúvas daquela que passaria à história como a famosa “amarelada” do então prefeito da capital era o do senador Ramez Tebet, então presidente do Congresso Nacional. Nesta “ficada” de agora, o de sua filha, a vice-governadora Simone Tebet. Embora o governador venha repetindo à exaustão que é uma questão de honra fazê-la sucessora do pai no Senado, nenhuma dúvida de que é a viúva mais ilustre. Sim, porque o viúvo mais ilustre é Nelsinho Trad. Ou alguém duvida de que sem um puxador de votos do porte de Puccinelli, em que pese o inferno astral de Delcídio do Amaral e os pepinos de Reinaldo Azambuja, a situação eleitoral de ambos se complicou ainda mais?
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