10/04/2014 – 10h29
Como criancinhas birrentas – porque “eu quelo, eu quelo, eu também quelo” – vereadores se revezaram da tribuna na última sessão ordinária Câmara Municipal de Dourados lançando, como quem vai para as guaviras, suas candidaturas ao Senado. Elias “mapa do Chile” Ishy querendo saber o que que os outros têm que ele não tem; Madson Valente, fazendo jus ao nome, numa ousadia de fazer inveja ao patrão Murilo Zauith, dizendo que se seus pares apoiarem vai para o “sacrifício”, e o bom pastor Cirilo Ramão, não falando mas deixando entrever sua encucação com a maldição do sapo enterrado vivo aos pés da estátua do tenente Antônio João Ribeiro, na praça central da cidade, que tanto azar dá aos políticos locais.
Nesta onda de provincianismo cujas ressacas retornam ameaçadoras sempre às vésperas das eleições, desde que se observe a certidão de nascimento dos audaciosos que chegaram lá, só colocar certinho os alfinetes no mapa político do Mato Grosso do Sul para se chegar à conclusão de que toda esta balela não passa de tempestade em copo d’água. Ou, como diria o “mapa do Chile” original, o senador e ex-presidente da República Marco Maciel, “tertúlia flácida para bovino dormitar”.
Antes de tudo, que se desmistifique essa coisa de que os políticos de Campo Grande estão sempre querendo engambelar os de Dourados. Começando por André Puccinelli, o mais sem-cerimônia entre os que mandam. Tudo bem que sua certidão de nascimento é italiana, mas onde aprendeu fazer e a militar politicamente? Em Fátima do Sul, terra, de quem, de quem? De Londres Machado, ora bolas! De todos, aliás, o que mais mete o bedelho na política douradense. João Leite Schimidt. É de Coxim o eterno coadjuvante do “chinês” fatimassulense. Zeca do PT, a mais expressiva liderança da ditadura lulista, é de Porto Murtinho; Delcídio do Amaral, tentando se enfiar aí neste bloco, embora preferindo viver na paradisíaca Floripa, nasceu em Corumbá.
Isto, falando de quem manda ou dos pretendem assumir o controle da situação. “Pratrasmente”, como diria o saudoso prefeito Odorico Paraguaçu, o maior exemplo é o do homem de Miranda, Pedro Pedrossian, cujo epíteto diz por si só. Nem por isso deixa de ser a maior liderança política dos dois Mato Grossos. Outros dois ex-governadores, que, senadores, fizeram bonito no plano nacional, José Fragelli e Ramez Tebet, ambos presidentes do Senado, sendo que Tebet ainda foi ministro da Integração Nacional. Um de Aquidauana, outro de Três Lagoas. E Rachidão Saldanha Dérzi? O mais longevo de nossos senadores era de Ponta Porã. Até Wilson Martins, o primeiro governador eleito no MS, depois senador, governador e mais uma vez senador, embora com a cara e a empáfia de alguns campo-grandenses, é de Rio Brilhante. E, por último, de propósito, para que sirva de exemplo aos “ousados” douradenses, Marcelo Miranda, o engenheiro de Uberaba, que saiu de Paranaíba, para, naquela efervescência da divisão do Estado virar prefeito de Campo Grande e governador – nomeado e derrubado –, depois, como vítima, elegendo-se senador e, aí, sim, legitimamente, governador do estado.
Exceção, pois, a Fátima do Sul, terra dos dois morubixabas do Estado, outros municípios emplacaram seus governadores e senadores. Mas, nenhum deles, com tantos audaciosos disputando, como Dourados. Em 1982, José Elias Moreira, este, sim, audacioso, renunciou à prefeitura para disputar o governo do estado. Bateu na trave. E olha que numa situação totalmente adversa, já representava o partido dos milicos no momento em que o país retornava à democracia. Depois teve Claudio Freire e, pintando, apenas, Braz Melo, que de tão audacioso teve as asinhas cortadas depois da curta experiência à sombra do pé de Chico Magro da vice-governadoria. Candidatos ao senado Dourados teve aos montes: Totó Câmara, em 1986, audacioso uma barbaridade, por enfrentar feras como Wilson Martins e Saldanha Dérzi; Egon KKK, João Derli, o próprio Murilo Zauith, em 2010, entre outros.
O que não pode, para depois não ficar nessa lamúria eterna, e Dourados com o estigma de terra dos vices e dos suplentes, é brincar de lançar candidatos, como fazem agora os nobres edis, para que a cidade não pague mico como quando lançou candidato ao senado um tal Bafo de Bode ou, nas eleições de 1982, um candidato a governador que por mais que tente puxar pela memoria não consigo lembrar o nome do dito cujo. Só sei que era um agrônomo, do PT. Pelo jeito, o que complica é este faniquito para entrar na fila, como aconteceu com o Valdecir Artuzi. E isto não é ousadia, é falta de feeling, de noção de timing.
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