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Nelsinho parece brincar de candidato a governador

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23/04/2014 – 09h56

A menos que esteja querendo fazer média com “lideranças” periféricas, como a deputada Mara Caseiro, de Eldorado, ou com o vereador estreante Sergio Nogueira, de Dourados, para depois cooptá-los sem necessidade de maiores investimentos, Nelsinho Trad só pode estar brincando com coisa séria. Como Jô Soares, ao brincar com a “maldição dos vices”, quando criou o bordão “tirante Aureliano, vice não fala”, numa referência ao polêmico vice de João Figueiredo, que governou o Brasil no período em que o último general-presidente precisou fazer uma cirurgia cardíaca nos Estados Unidos.

Pelo que se deduz das auscultações até agora feitas pelo médico pré-candidato peemedebista ao governo do Estado, seu raciocínio deve estar se baseando na premissa de que como é para perder mesmo qualquer um serve. Em caso de uma zebra, e a vingar algum desses convites, restando ao ex-prefeito campo-grandense cair na gargalhada como o público de “Viva o Gordo”, ao final da mesma piada: já viram rua com o nome de algum vice?

Piadas e brincadeiras à parte, Nelsinho Trad bem que poderia fazer um retrospecto da história para melhor se familiarizar com a engenharia que é a escolha do vice. Normalmente, o primeiro quesito exigido – não só para vices, como para suplentes – é o sujeito ser endinheirado. O segundo, que tenha votos. Melhor, ainda, quando tem voto e dinheiro. E ele nem precisa escarafunchar muito, bastando ficar com o exemplo de seu partido, em Mato Grosso do Sul, começando pela primeira eleição, quando o vice de Wilson Martins, Ramez Tebet, tinha tantas credencias para substituir o titular, como acabou acontecendo, que depois virou senador, ministro de Estado e presidente do Congresso Nacional. Detalhe interessante, do mesmo pleito, a inexpressividade do vice do douradense Zé Elias, o grande jurista Carlos Stefanini, mas sem um tostão furado no bolso e nenhum voto em Campo Grande, sua “base eleitoral”, onde, por coincidência, a eleição foi perdida.

Outra coisa, nestes tempos de Uragano, de mensalão, de dossiês que vão e que vem etc. e tal: não custa uma boa examinada na ficha corrida do convidado, para não acontecer como Fernando Henrique Cardoso, em 1994, quando precisou desconvidar Guilherme Palmeira, depois de montada a chapa e iniciada a campanha, por conta do envolvimento do senador nordestino em esquemas de corrupção. Neste caso, o alerta vale mais para o ainda pré-candidato Delcídio do Amaral, por tudo que tem rolado de nomes, os mais suspeitos (tem até gângster na lista), como seus prováveis companheiros de chapa.

Nada contra a simpática deputada Mara Caseiro ou o pastor Sérgio Nogueira, entre outros nomes até aqui lembrados. No caso do vereador douradense, aliás, Nelsinho que fique esperto. Se a indicação é coisa do patrão Murilo Zauith, é um bom indício de que o prefeito está mesmo mancomunado com Delcídio do Amaral, bastando esperar para se confirmar o nome de Zé Teixeira ou de algum outro aliado como vice na chapa petista.

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Mara Caseiro e Nelsinho Trad

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