07/05/2014 – 10h30
Quem, em sã consciência, acredita que Delcídio do Amaral, mais liso que quiabo em boca de banguela, depois de o tucano Reinaldo Azambuja ter escapado por entre seus dedos, teria oferecido “tudo” (menos a cabeça de chapa, claro) a André Puccinelli em troca do apoio do PMDB? Em sendo verdade, alguém acredita que, vacinado, o governador embarcaria nesse tipo de canoa furada? Porque, se o senador chegou a esse ponto é o mais claro sinal de que o barco pode estar mesmo indo a pique. Estas são apenas as cenas que chamam para o próximo capítulo da novela em que se transformou a sucessão estadual.
Antes de oferecer mundos e fundos a quem está com a vida ganha, como o nome inscrito nas maiores placas da história, já às vésperas da aposentadoria e com os netos à espera do próximo transatlântico para o retorno, agora de veraneio e de reminiscências, à região da Toscana, Delcídio do Amaral deve uma convincente resposta à opinião pública quanto a seu envolvimento com os escândalos da Petrobras. Se é que vai ter tempo de tentar, ao menos, se explicar, pelo tanto que o pau está comendo no Congresso e com os que já foram pegos com a boca na botija doidinhos para contar logo tudo o que sabem, como é o caso de Nestor Cerveró e de Roberto Costa, este já trancafiado na Polícia Federal. Haja ansiolítico para a petezada, já que a cada nova manchete dos grandes jornais é um novo escândalo da empresa um dia orgulho nacional.
Enquanto isso, Nelsinho Trad continua em sua dolce far niete, de carona no prestígio de André Puccinelli, na companhia da não mais tão doce Simone Tebet, cuja tromba desceu estranhamente depois de consolidada a candidatura à cadeira um dia do pai no Senado. Quando não está no Facebook, usando fotos de arquivo na tentativa de passar a imagem de trabalhador, Nelsinho perde a oportunidade de ficar de bico calado, como, por exemplo, quando fala em oferecer o palanque peemedebista a Eduardo Campos, sem primeiro conquistar o homem do PSB no Estado, o sempre enigmático Murilo Zauith, mas agora mais estratégico que nunca, ou sugerindo o nome de Tatiana Ujacow, na cota douradense, como sua companheira de chapa. Um belo nome, sem dúvida, o da socialite filha do conceituado jurista Josephino “Pepito” Ujacow, mas há muito tempo morando na capital e que sem GPS não saberia mais andar pelas esburacadas ruas da cidade natal. Para tanto, teve que “desconvidar” o vereador Pastor Sérgio Nogueira, talvez depois de ler aqui no blog histórias como a dos dossiês que vão e que vem.
Reinaldo Azambuja. Transformado em vedete dessas eleições, se bobear perde a chance de se reeleger deputado federal. Diante da desgraceira que se abateu sobre a candidatura Delcídio e da inércia de Nelsinho Trad, até seria um nome competitivo, não fosse ele também vítima de uma oceânica apatia, muito provavelmente como resultado do turbilhão de cifrões que devem estar confundindo seus neurônios, muito mais os que lhe oferecem para pavimentar a tal a terceira via do que os devidos da última encrenca em que se meteu – a eleição para prefeito de Campo Grande.
Assim, passada a borrasca que tanto aflige Delcídio do Amaral, a menos que não seja ele o candidato do establisment, tudo o que está rolando tanto nos bastidores da política como na imprensa, não passa de embromação. De nós, pobres jornalistas que vivemos desse tipo de informação; dos políticos, principalmente os que estão com as chaves dos cofres, para gastar o mínimo possível de seus milhões, até porque a maior parte dessa grana é sem retorno. Todo mundo brigando para ver quem ocupa os primeiros lugares no tal busão. Busão, aliás, já devidamente adesivado nas cores do Mato Grosso do Sul. De propósito ou não, uma boa desculpa para se livrar da estrela vermelha.
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