27/05/2014 – 16h05
Depois de um briefing com Gerson Schaustz e Odilon Azambuja fui introduzido no gabinete do prefeito Murilo Zauith, pela sempre eficiente faz-de-tudo Andrea Vieira. Acabando de meter um jamegão numa mensagem à Câmara trazida pelo sobrinho preferido de Archimedes Ferrinho, seu assessor jurídico Alessandro Fagundes, segundo ele uma tentativa de pôr um fim aos retornos da merenda escolar, mas, pulando esta parte, entrando direto no assunto que sabia me levar até ali, foi logo anunciando: estou de “pm”. Claro que não era uma referência às iniciais de prefeitura municipal. Com a agenda cheia, o providencial “esquecimento” do “t”, com o qual poderia ironizar a tensão das mulheres “naqueles dias”, tentando me convencer, com a hipérbole besteirenta, de que nada mais resta a Dourados no atual quadro sucessório.
Se politicamente Murilo Zauith é um homem desacorçoado, quando fala de sua administração – “qual o prefeito que asfaltou quarenta e três bairros de uma só vez?”, pergunta – volta o tônus que faltou na hora de renunciar ao cargo para tentar ser governador ou senador. Uma forma de minimizar, talvez, a frustração – dele e de seus mais de duzentos mil munícipes – pela continuidade da política do pirulito. E olhe lá se, desta vez, saia de Dourados pelo menos o pauzinho do pirulito. Ou alguém acredita que, uma vez eleito, sem vice ou sem senador da região, Delcídio do Amaral vá dar pelota para algum douradense, como prometeu durante a Expoagro?
O grande desafio do prefeito neste momento não é mais acabar com os sobressaltos do cada vez maior número de douradenses assustados pela suspeita de mal de Parkinson de tanto trafegarem por algumas ruas do centro da cidade, tamanha é a tremedeira provocada pela buraqueira. Sem afrontar André Puccinelli, ao embarcar no barco furado de Nelsinho Trad, garante, além do asfalto já iniciado em alguns bairros, o recapeamento do centro da cidade, mais alguns vilarejos do Minha Casa Minha Vida, fora a dinheirama que Dilma Rousseff traz na mala mês que vem para a Sanesul trocar alguns caninhos colocados equivocadamente por toda a cidade. Seu desafio é encontrar, entre os aliados neossocialistas, um candidato a vice-governador e outro a senador, mais seus suplentes, para completar a chapa do ex-prefeito campo-grandense. Nomes para esta empreita? Zauith não tem, daí seu p…m.
A ausência de nomes – veja que nem de lideranças estou falando mais! – douradenses para esse tipo de emergência chegou a tal ponto que estão partindo para o escracho, como faz o deputado Zé Teixeira (candidato a vice de todo mundo), ao patrocinar uma espécie de novo Artuzi, pondo pilhas em Cido Medeiros, um dos vereadores por ele adquiridos recentemente, como se o sujeito tivesse condições de ser candidato a governador. Pior é que o dito cujo acredita e parte com tudo, à lá Maluf, para o Facebook, como se tudo o que acontece em Dourados nesses novos tempos de prosperidade fosse coisa dele. Outro vereador, pastor Sérgio Nogueira, foi citado como candidato à vice. O vácuo é tão grande que agora estão tentando ressuscitar Eduardo Marcondes, quietinho cuidando de seus boizinhos lá em Vista Alegre, para ser vice ou senador de Nelsinho. Só pode ser coisa de quem não conhece a história política de Dourados. Logo Marcondes, ex-andrezista de carteirinha, convertido ao zequismo petista depois de rebaixado da condição de primeiro para segundo suplente de Ramez Tebet, para dar a vaga ao campo-grandense Valter Pereira, que, com a morte do titular, virou senador por quatro anos. Para ficar no bordão do próprio Marcondes, quando vereador de oposição, tudo isso é um absurrrrrdo! Assim mesmo, com um monte de erres, em seu acariocado e inconfundível sotaque.
←TEXTO ANTERIOR ouPÁGINA INICIAL→

