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Nelsinho Trad lembra Gandi Jamil, em 90

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02/06/2014 – 09h54

Vindo da cozinha de um dos últimos andares de um prédio que nem era dos mais luxuosos, nos altos da Afonso Pena, o cheiro de cebola dourando para cobrir generosas porções de bifes de alcatra caprichosamente dispostos numa baixela de prata remanescente dos áureos tempos de poder (na mesma avenidona, só que na famosa casa branca de esquina, um pouco mais acima) insistia em desviar minha atenção das abalizadas palavras do anfitrião, enquanto sua Maria Aparecida ia e vinha na checagem dos últimos detalhes do almoço. Do alto de sua condição de grande forjador de lideranças, o ex e, mais uma vez, futuro governador Pedro Pedrossian tentava explicar a dissidência que tanto constrangimento trazia àquela sua nova investida ao Parque dos Poderes: “Falei pro Gandi, sai meu vice agora, assume a chefia da Casa Civil e se prepara para me suceder lá na frente; você é novo, ainda, pode muito bem esperar”.

Tive esta deliciosa lembrança ao acessar na manhã hoje o portal do Correio do Estado, ali me deparando com a crônica de uma traição anunciada, justamente no jornal que até ontem era o maior aliado da candidatura do ex-prefeito Nelsinho Trad ao governo do Estado. São situações meio parecidas. Gandi, até ali deputado federal mais votado da história, irmão do todo-poderoso Fahd Jamil, hospedeiro na fronteira e desde sempre um dos principais avalistas dos projetos políticos de Pedrossian. Gandi, genro do mais poderoso ainda Ueze Zahran, do grupo TV Morena. Não bastasse todo este apoio logístico, o político, do senador Wilson Barbosa Martins, que cedera sua filha, Celina Jallad, como candidata a vice-governadora. Com tudo isso, um fiasco. Afinal, o adversário não era qualquer um.

Segundo o jornal de Antônio João Hugo Rodrigues, que, da condição de um dos maiores incentivadores da candidatura Nelsinho, de repente vira candidato a senador na chapa de Reinaldo Azambuja, os principais partidos de Mato Grosso do Sul e tradicionais parceiros do PMDB migraram para outras coligações ou concorrerão à sucessão estadual com candidatura própria.

A matéria de Adilson Trindade mostra que o PSDB, por exemplo, descolou definitivamente do PMDB depois de muitos anos de caminhada lado a lado nos grandes embates eleitorais com o PT. Lembra que nas eleições municipais de 2012, o PSDB decidiu romper as ligações com o PMDB para disputar a Prefeitura de Campo Grande e que com o desmanche da então sólida base partidária do governador André Puccinelli (PMDB) o maior prejudicado está sendo o pré-candidato peemedebista ao governo do Estado, que não terá a mesma quantidade de partidos na aliança que apoiou as duas eleições de André para governador do Estado.

Resta a Nelsinho Trad, tão jovem e sonhador quanto Gandi Jamil, o consolo de que Delcídio do Amaral, como candidato, não chega nem aos pés de Pedro Pedrossian, que também nunca esteve tão enrolado com denúncias de corrupção como o senador pantaneiro. Já André Puccinelli, pelo menos oficialmente seu principal apoiador, como administrador e político disputando, no panteão da história, condições de igualdade com o homem de Miranda. A questão que fica, e daí todo o imbróglio do atual processo sucessório, é saber até que ponto vai a disposição de André em, como Doutor Pedro, ser um novo forjador de lideranças.

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