04/07/2014 – 09h31
Pelo tamanho do título, à la mode du Nicanor Coelho, dá para perceber, de cara, que o processo escrevinhatório deste post se dá sob forte impacto. Não é pra menos. Depois de ziguezaguear pelas esburacadas ruas do centro da cidade, como a Mato Grosso e a Joaquim Teixeira Alves, de atravessar algumas nuvens de poeira advinda dos bairros da região leste, já próximo da bifurcação da Marcelino Pires com as BRs 463 e 163, na saída para Campo Grande, o susto. Não sei se maior pelo título da placa, anunciando a chegada do desenvolvimento ou pela freada de uma carreta, fazendo um L e quase batendo na traseira de meu uninho básico, depois que, brusca e instintivamente, diminui a velocidade para tentar descobrir, numa placa de outdoor em forma de cartoon, o que poderia ser, finalmente, a chegada da tão decantada era da prosperidade.
Nem seria o caso de falar de equívoco ou erro de estratégia de marketing, já que Murilo Zauith nunca quis gastar seus milhões com esse tipo de coisa. E por uma razão muito simples, por preferir o barato, que, está provado, às vezes acaba saindo caro. Daí, estar sempre sangrando politicamente pelo espeto de pau da casa do ferreiro. Não que a equipe de Ricardo Fava não seja competente, mas os guris lá são bitolados, e as grandes ideias, quando veem, só para o big boss, no caso, patroa, Cecilia, sempre exigente com as peças publicitárias para vender seus cursos, principalmente os do exterior. Mesmo assim, a propósito, quase conseguiram enfear a bela Carla Cruz, pelo excesso de rímel no último vídeo da Unigran Net. De propaganda institucional de governo ou política, zero à esquerda.
Por essa mania de ver publicidade como custeio, não como investimento, e, pior, talvez por inspiração de seu chefe de governo, Zito Leite, nessa coisa de misturar o público com o privado, o Murilo prefeito está pagando caro por abrir mão de uma assessoria mais “profissa”. O primeiro grande erro, clamoroso, mesmo, por ter deixado tudo como estava na assessoria de imprensa, em tese, o lugar onde tudo deveria começar, só para não contrariar Alfredo Barbara, que havia montado o time de comunicólogos de Valdecir Artuzi. Segundo, aceitando, também, a mesma agência repassadora de recursos aos subordinados da mídia. Sim, uma mera repassadora, já que toda a “produção” e criação de peças publicitárias como essa aí, que assustam a gente na rua, sai da house agency, ou seja, dos fundos do quintal da Unigran.
Murilo Zauith talvez nem mereça, mas, por isso, não pode reclamar pelas sucessivas derrotas na política e, agora, da rejeição estratosférica de sua administração. Como se trata de agradar, sempre, para não perder o empreguinho privado – às favas as questões éticas – a produção para o público sai em troca de uma gorjeta. E, bico, sabe como é, o camarada não vai gastar o pouquinho de neurônios que tem. O maior exemplo está na marca do candidato Murilo. Não importa o cargo a que concorra, lá está o surrado M alaranjado, já manjado de tanto estilizado. Jingle? Depois que Carlos Fábio emplacou seu único sucesso, o “Meu Mato Grosso do Sul” passou a ser também o de Murilo. Pelo menos na voz de seu, só por isso, intocável secretário de cultura.
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