13/07/2014 – 08h12
Uma das cenas mais constrangedoras que presenciei cobrindo eventos políticos aconteceu na largada de uma campanha eleitoral como a de agora, no Parque das Nações II, em Dourados. Em sua primeira tentativa de retorno à Câmara Federal, Geraldo Resende resolveu começar pelo bairro para o qual havia conseguido algumas coisinhas, com uma caminhada seguida de panfletagem ao som de seu jingle tocando numa Kombi. Era um sábado, de manhã, dia tido como bastante produtivo, pela possibilidade de se encontrar mais gente em casa. Gente como um tiozinho que lavava uma brasília velha na calçada e que ao ser abordado soltou os cachorros pra cima do candidato. Só não houve agressão física porque Resende foi saindo de fininho enquanto o eleitor esbravejava, relembrando tratamento considerado desumano antes da campanha.
Relembro este episódio a propósito do primeiro sábado em que os candidatos poderiam se refestelar livremente pelas ruas da cidade na pedição de votos em 2014. Estava curioso para ver se algum deles adotaria o padrão FIFA, principalmente nos indefectíveis santinhos. E assim, armado de uma xeretinha falante da Apple lá fui eu para a Marcelino Pires. Depois de uns bordejos pra lá e pra cá, a artrose já dando os primeiros sinais na minha vértebra vizinha à fraturada da do Neymar, resolvi sentar num desses cimentados redondos de proteção de árvores do canteiro central. E nada de candidatos. De repente, um cutucão nas costelas. Em frames de segundos, a imagem do Valdecir, passos largos, na mesma Marcelino Pires, com aquela mãozona dando tapas nas costas dos eleitores, com a não menos indefectível cantada: ajuda eu!
Depois de alguns minutos de prosa, a sugestão de pauta, e para o título deste post, além de curto, inglesado. Logo dele, do escritor e jornalista dos títulos quilométricos. Para Nicanor Coelho esta é uma campanha indoor. E a explicação, do próprio imorrível, para aquele vazio que tanto me angustiava: depois de tantas denúncias, que geraram tantos escândalos, do mensalão à Passadena, passando por Owari e Uragano, o medo da turma dos retornos de encarar o tal do povão, no tête-à-tête (o famoso olho no olho) ou, como alguns preferem, no corpo a corpo.
Verdade. Na noite anterior fui ver a largada da campanha de Zeca do PT em Dourados. Depois de um programa de índio, durante o dia, em companhia de João Grandão e não de Laerte Tetila, como era de se esperar, já que o reduto escolhido foi o meu Jaguapiru, lá estava o ex-governador, todo amarfanhado, discursando para não mais que vinte correligionários. Na casa de Zé Elias. Mais indoor que isso, impossível. Interessante é que titio Zeca discursa sempre, para os mesmos gatos pingados, como se fosse para uma multidão. Aliás, se falasse mais de seus projetos do que do orgulho que tem de ser amigo de Lula, talvez não precisasse se esgoelar tanto.
Como se vê, não só pela falta de grana, numa eleição praticamente definida, mas principalmente pelo medo de encararem o tal povão pelo tanto que estão desacreditados, zóio no zóio, como se diz no populacho (principalmente depois do fiasco da seleção brasileira na Copa das Arenas superfaturadas), só mesmo na telinha da TV, nos famigerados programas eleitorais. Ali, enclausurados e bem dirigidos, em estúdios, pagando uma babilônia por superproduções, onde, não correm o risco de uma descompostura, como aconteceu com Geraldo Resende, eles podem meter o dedo na tela, e na cara do eleitor, que só terá a urna para se vingar.
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