20/07/2014 – 18h13
A estrelinha branca induzindo o eleitor a visualizar uma aura de santidade em Delcídio do Amaral no famigerado santinho que começa a ser curtido e compartilhado na internet só pode ser coisa de marqueteiro acostumado a lidar diretamente com deus. No caso, deus Luiz Inácio, daí a grafia em minúscula, já que, como dizia dona Elvia da Silva Melo, o petista vai ter que comer muito feijão para, numa das próximas reencarnações, tentar chegar aos pés, que seja, do Grande Arquiteto do Universo. Como para Lula nunca antes na história o céu continua sendo o limite, a eleição de Delcídio do Amaral, que não é nenhum poste, já deve ser dada como favas contadas, daí a o deslocamento e a mudança da cor da estrela, decerto para que o candidato não venha a ser confundido com alguma das bestas do Apocalipse.
Vendo assim en passant o santinho no Facebook tive a sensação de que o senador estava meio jururu na foto por conta da dificuldade, imposta pela Justiça Eleitoral, de se ver livre de Londres Machado nas peças publicitárias. Tanto é que, como disse lá mesmo no Face, para conseguir ler o nome de seu vice tive que recorrer à lupa de Antônio Tonanni. Mas, nessas horas, nada como ser casado com uma especialista em arte surrealista, daí a explicação de Anita Tetslaff para o que o marqueteiro Duda Mendonça e seus criadores quiseram transmitir ao aplicar a estrelinha branca por sobre os tão bem cuidados cabelos grisalhos de nosso Deuscídio, ops!: ele é o homem, o enviado, de deus Lula, claro. E a mensagem não poderia ser mais clara: vinde a mim, todos os eleitores. Neste caso, estando mais para o folclórico Inri Cristo, o filósofo Álvaro Thaís, um zombeteiro picareta que anda por aí dizendo ser a reencarnação de Jesus.
Como heresia pouca é bobagem, o marketing petista parece entender que Jesus Cristo é pouco como parâmetro para o senador e pretenso governador. Reparem na dimensão que dão à letra inicial de seu nome. Não bastasse o três do 13 estilizado, como pano de fundo do santinho o mesmo D, pelo tamanho, como que a remeter ao do nome Daquele que é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas. Um suprassumo, como se vê, entre a companheirada, mas que não passa de um dos maiores bagres ensaboados já vistos na política do Mato Grosso do Sul. Um bom vivant engenheiro barrageiro chegado numa curtição das paradisíacas praias de Floripa, pantaneiro tucano convenientemente convertido ao petismo no momento em que Lula ascendia ao poder, mas, principalmente, por sua incrível capacidade de se esquivar de denúncias de corrupção como as da Uragano e de Passadinha, não tendo como não ser endeusado.
Como a palavra do verdadeiro filho de Deus adverte para surgimento de falsos profetas, o que dizer dos que tentam se passar pelo próprio Cristo? Um perigo, principalmente quando o “vinde a mim” dirigido aos pretensos aliados para a formação de alianças políticas não respeitou credo ideológico ou partidário. Ou seja, na ânsia de encher o tal busão, aceitando-se de tudo, ignorando-se a ficha corrida dos embarcados, a começar pelo companheiro de chapa, Londres Machado. Como explicar, pra começo de conversa, a maior longevidade da política nacional no comando da Casa que é vista como um dos maiores antros de corrupção do Estado? Para que se cumpra a profecia só falta agora o italiano André Puccinelli, que já lavou as mãos, e, para ficar ainda mais parecido com seu colega romano Poncio Pilatos, proclamar do alto do parlatório da Governadoria, diante de uma turba peemedebista enraivecida: eis o homem! Não me perguntem se no madeiro ou não.
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