28/07/2014 – 14h08
Até bem pouco tempo a expectativa pela estreia dos programas eleitorais na TV era tão grande que alguns produtores até preparavam um programa “falso” para exibir no primeiro dia, no horário do almoço, por considerarem o programa da noite, do chamado horário nobre, o de maior impacto junto ao eleitorado. Era aí que começava, pra valer, a corrida eleitoral. Agora, com a proliferação de mídias sociais, ninguém se aguenta. Até pela pindaíba da maioria dos candidatos, com dificuldades para colocar a campanha nas ruas, o negócio é explorar ao máximo os recursos de rádio e TV da internet, como os do Facebook e do Twitter. E, assim, a um mês da estreia dos sempre tão aguardados programas eleitorais, todo mundo já sabe o que vai rolar, principalmente na telinha da TV, como, por exemplo, a predestinação de Delcídio do Amaral como o santificado governador de todos ou que até mesmo o papagaio do vizinho é eleitor de Nelsinho Trad.
Não fosse a crônica dos calotes anunciados que de antemão faz esses tão zelosos e criativos produtores irem colocando as barbas de molho, até daria para imaginar alguma novidade no ar, a partir de meados de agosto. Mas com a grana mais curta que coice de porco, não se esperando grandes surpresas, com a propaganda no rádio e na TV que não deve passar de um festival de reprises, ou mesmo remakes, restando saber se, a exemplo de algumas antológicas e memoráveis novelas globais, vai valer a pena ver de novo.
Ao mostrar que toda uma família – pai, mãe, irmãos, tios, cachorro, gato e até o papagaio do vizinho – é quinze, ou seja, que “vota” em Nelsinho, o primeiro jingle da campanha de Trad Filho é uma gracinha. Um mimo de peça publicitária, talvez inspirada no dengo como o candidato já vinha sendo tratado no Face antes da chegada de sua equipe de marketing. Ênfase, até demais, para seu lado família, como a postagem desta segunda-feira, dele em lençóis macios, num sono profundo, com a caçulinha sobre o peito. O que destoa desta animação em 2D que está dando o que falar na rede é outro vizinho, o que fica “taradinho” só de pensar em votar no Nelsinho. Situação que chama a atenção para a dubiedade de conceito de outro vídeo, mais convencional: “Felicidade, quem sabe faz, e com Nelsinho vamos fazer muito mais”. Ora, tirante a parte abstrata, ou subjetiva – “qualidade ou estado de feliz; ventura, contentamento” – mestre Aurélio ensina que além de bom êxito e sucesso, felicidade é também boa fortuna, dita, sorte. Será que é por aí?
Já a equipe de Duda Mendonça (o marqueteiro dos mensaleiros) não poupa adjetivos para endeusar Delcídio do Amaral. Segundo a letra de um dos clipes “cada um tem um número de sorte ou uma cor preferida, mas é a letra que começa seu nome a sua marca mais forte, que marca o destino e comanda sua vida”. O “D”, de Delcídio, garantem, é o mesmo de decisão, de direito, de decente, de determinação. Para quem se apresentava como o senador de todos, não custa, claro, virar o governador de todos. Daí a tentativa de induzir o eleitor a pensar que nele se pode confiar e que, apesar dos retornos, mesmo que de apenas 5%, de Pasadena e tudo mais, e de que dele “a gente pode se orgulhar”.
Os produtores de Reinaldo Azambuja foram mais óbvios, mostrando o lado intimista do candidato. Chapéu na mão, chegando num mangueiro, ele vai falando de sua vida, da família e, como que num recado ao agora adversário Delcídio, com quem andou pensando o Estado até a véspera das convenções partidárias, lembrando o conselho do pai: “palavra é tudo na vida, você não é obrigado a prometer, mas se deu a palavra, cumpra”. Nenhuma dúvida de que este conselho pesou para o acerto com André Puccinelli e Nelsinho Trad, para o traçado da terceira via e a garantia, não só de segundo turno como de pagamento dos programas eleitorais do primeiro.
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