18.9 C
Dourados
segunda-feira, junho 29, 2026

Uma difícil sugestão de pauta

- Publicidade -

01/08/2014 – 09h00

No momento em que os produtores dos programas eleitorais batem cabeça na busca do que colocar na boca de seus candidatos, principalmente os que cuidam dos textos de quem se habilita ao governo do Estado, fico imaginando quão hercúlea tarefa terão pela frente, dadas as amarras políticas de cada um deles, considerando-se, claro, os três que têm chance de chegar lá. Isto, partindo-se da premissa de que têm o mínimo de noção do que estarão gravando e desde que consigam passar credibilidade num momento de total descrédito da classe política, com o eleitor dando sinais de fadiga pelo esgotamento da paciência com seus governantes.

Começando por Nelsinho Trad, o peemedebista com a responsabilidade de se apresentar tão ou mais eficiente que o (em tese) padrinho político André Puccinelli. Nenhuma dificuldade, em princípio, para quem representou muitíssimo bem o mesmo papel como candidato e, depois, por oito anos, como prefeito de Campo Grande. Naquelas circunstâncias, para ele, melzinho na chupeta; como tomar doce de criança. A capital morena estava pronta, e com dinheiro saindo pelo ladrão. Tanto que precisou inventar muita coisa, obras futuristas, como a Orla Morena, e, quase que no mesmo sentido, a avenida Lúdio Coelho, um belo atalho para quem chega do Sul do Estado direto ao aeroporto internacional. E dá-lhe ciclovias. Fora isso, muita maquiagem na bela capital morena.

Agora, o buraco é mais embaixo. Imagine Nelsinho numa “passagem” para o programa de TV no descampado das terras de Adão Parizotto reservado para o Hospital Regional, grande bandeira da reeleição de seu aliado George Takimoto, mas, oficialmente, um candidato de Delcídio do Amaral. Sem contar que o também pedetista Parizotto, de olho no legado do conterrâneo Valdecir Artuzi, já pinta como candidato a prefeito, devendo ter um peemedebista ou aliado como adversário. Governador ou não, em 2016, pelo andar da carruagem Nelsinho estará num palanque com José Carlos Barbosa ou Délia Razuk.

Além da intrincada questão política, difícil falar de um Hospital na planta, ainda, por mais bem-vindo que seja, quando os governos não dão conta de bancar os custos do “beneficente” Evangélico, mais uma vez ameaçando barrar os atendimentos do SUS; com o Hospital da Vida insistindo em não condizer com próprio nome e o Universitário, desde sua concepção, um dos maiores desaguadouros dos retornos para a dupla famosa que insiste em representar Dourados no Congresso Nacional. A menos que, como médico, o candidato tenha algum segredo de mágica para resolver o problema.

Tirante saúde, imagine Nelsinho Trad prometendo por fim à vergonha que é o asfalto esburacado das ruas centrais de Dourados. Como fingir que Murilo Zauith não é um dos principais aliados e sampar o pau nele? Talvez esteja aí o pulo do gato para a virada do jogo na região. “Vou fazer como André, que transformou em realidade o sonho da Perimetral Norte, depois de duplicar a rodovia Dourados-Itaporã e agora está acabando com o drama da Guaicurus”. Não!, Nelsinho. A Perimetral Norte lembra o Valdecir, a Dourados-Itaporã só aumentou a confusão com os Índios e a Guaicurus…será que termina neste governo?

Habitação! Olha aí um baita tema. Mas o Murilo e o André já não zeraram o déficit? Não, ainda estão terminando os projetos do Valdecir. Desenvolvimento! Taí. Genérico. Ainda mais agora, com os olhos no Paraguai, depois que Murilo descobriu que o caminho da prosperidade passa por Assunção. Mas isso não lembra o Mercosul, o Braz Melo? E com quem está o Braz? Difícil.

Delcídio do Amaral. Este é canja. Só lembrar sua grande obra em Dourados – o auditório da ACED, que por coincidência leva o nome do pai, um grande benfeitor douradense. “Se eu for governador, garanto terminar o Centro de Convenções”. Se a empreiteira não falir de novo, tem que acrescentar, por conta de novos retornos. Aproveita para reforçar a promessa de doze anos atrás, de trazer, nem que fosse “na marra”, um ramal do gasoduto.

Reinaldo Azambuja está em casa. Ainda mais com seu Zé Teixeira a tira colo. Tudo pela produção! Seguindo a estratégia de seu candidato a presidente Aécio Neves, de sinalizar ao mercado tão aflito com as lambanças petistas, prometendo prestigiar os douradenses na formação do secretariado. E, corrigindo uma injustiça, com o retorno, ops!, à ribalta, dos irmãos Campina Verde, nomeando um deles, mais provavelmente Aurélio Rocha, para a Secretaria de Fazenda. Por que não? Difícil, muito difícil, mas é só uma sugestão de pauta.

←TEXTO ANTERIOR ouPÁGINA INICIAL→

O mais recente retrato do caos na saúde douradense

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-