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Uma eleição que não passa por Dourados

06/08/2014 – 09h37

Ao volante de um Dodge Charger RT cor abacate (uma joia rara adquirida depois de muita lábia junto ao espólio de Wilson Benedito Carneiro) com Alarico Reis D´Ávila no banco do carona, em viagem de Campo Grande para Dourados, Harrison de Figueiredo viajava nas reminiscências do trabalhismo brasileiro quando o passageiro do banco de trás cutucou seu ombro pedindo que parasse no acostamento. “Bexiga cheia governador?”. Não. Não era nenhum governador do Mato Grosso do Sul. Era o então governador do Rio Grande do Sul e futuro governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, recém-chegado do exílio, num dos primeiros giros de seu périplo como pré-candidato a presidência da República.

Parado o pequeno comboio, composto por um opala velho, do próprio Alarico, e de dois veículos menores, um de Ramão Perez outro de Atílio Torraca Filho, Brizola desceu, atravessou a pista e se embrenhou numa dessas pequenas lavouras de subsistência. Não. Não era uma tentativa de se esconder para tirar água do joelho. Brizola foi conversar com um lavrador. Apoiado em seu guatambu, aquele homem humilde mal podia acreditar no que via e ouvia. “Tu é o Brizola mesmo, cunhado de Jango? Homi de Deus, tudo que temos devemos ao finado Getúlio”. Nessa altura da conversa Harrison e demais companheiros já se achegavam. Emoção e lágrimas. Lágrimas que não chegaram a jogar pra fora as águas do rio Brilhante, como as que tanta falta fazem hoje ao rio de Piracicaba, mas que sobrariam para encher os olhos do mesmo Harrison, anos depois, quando, no aeroporto de Dourados, recebeu a notícia do cancelamento de um dos muitos retornos do mesmo Brizola, aí para um comício da campanha presidencial.

Candidatos à presidência da República hoje em Dourados? Bem capaz! Que me lembre, os últimos foram Ciro Gomes e Lula, o petista, nos tempos de pobreza, quando andava com Tetila e João Grandão nos acampamentos da vida, sempre sobrando um tempinho para uns goles no bar do Tinguá, no Água Boa. Antes dele, Mário Covas e Collor de Melo, o caçador de marajás para uma faturadinha básica em cima da tragédia dos suicídios dos índios do Jaguapiru. E Dilma, que não veio, na eleição passada, mas como se tivesse vindo, já que Lula baixou por aqui para inaugurar UFGD, que nada!, para fazer campanha e, aproveitando, para dar uma espiada, mesmo que pela janelinha do aero Lula, no empreendimento familiar lá pelas bandas da saída de Laguna Caarapã.

Candidatos a governador, aqui ou daqui? Antes, até que se sonhava com isso. Depois de Zé Elias, “adios Lourenço Flores”, como dizia Totó Câmara. Vir, até que vêm, mas só bem perto da eleição. Delcídio do Amaral, sempre, em reluzentes jatinhos pagos sabe-se lá com dinheiro de quem, se de alguma empreiteira, petroleira ou frigorífico! Nelsinho Trad não deve saber nem mesmo quão deliciosos são os pãezinhos de queijo da Água Rica. Também, só de avião e assim mesmo como se fosse para buscar fogo ou para lautos comes-e-bebes com a imprensa – só a subordinada, claro. Reinaldo Azambuja, como bom boiadeiro, só na Expoagro, para aumentar seu plantel. O resumo da ópera é uma frase lapidar de Murilo Zauith, o último ter as asinhas cortadas ao tentar voar até o Parque dos Poderes: “os políticos de Campo Grande parece que tomam Dramin antes de embarcar para Dourados”. É. Pode ser. E o retorno, como não poderia deixar de ser, antes que passe o efeito!

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Azambuja e Nelsinho: nem aí para Dourados

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