30/08/2014 – 10h16
“Eu não tenho escrúpulos, o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Para quem não se lembra, a frase famosa é do então ministro da Fazenda de Itamar Franco, Rubens Ricupero, na tentativa de promover a candidatura presidencial de Fernando Henrique Cardoso contra Lula da Silva, em 1994. Ela foi dita em “off” ao jornalista Carlos Monfort, enquanto eles se preparavam para uma entrevista “ao vivo” para o Jornal da Globo, mas vazando para antenas parabólicas porque os microfones estavam abertos. Muito mais sem escrúpulos que Ricupero, agora, nessas eleições de 2014, Delcídio do Amaral usa seu programa eleitoral para faturar em cima de obras do governo federal, as que deram certo, claro, mas jogando para debaixo do tapete as emperradas, que não deram retorno.
No mais recente programa eleitoral do petista levado ao ar na televisão, a equipe do marqueteiro-mensaleiro Duda Mendonça repetiu a velha fórmula criada para promover seu mais famoso cliente, na linha do “foi Maluf quem fez”, já usada em Mato Grosso do Sul numa das campanhas de Pedro Pedrossian, antes de ser aplicada com sucesso à campanha de Lula da Silva. Daí, a abundância de vinhetas em todas as cores nas quais pululam as palavras “experiente” e “competente” para reforçar o conceito de que Delcídio “sabe fazer”.
Para um candidato a governador que, bem ao estilo da chefa Dilma Rousseff, gosta de posar de gerente, pegar carona nas obras do governo federal até que passa. Sem recriminações também para o fato de jogarem para debaixo do tapete os custos disso tudo para o contribuinte, que é quem paga a conta. E, antes de entrar no X da questão, desde que estivéssemos tratando de coisa ou de gente sérias, restando o debate da questão ética, já que a maioria das obras mostradas por Delcídio é resultado do esforço coletivo, da banca federal, aí incluídos não apenas os companheiros petistas, como também peemedebistas e tucanos. Neste último caso, aliás, no singular. De tão singular que é o Azambuja, que está tirando o sono dos adversários.
Para não cometer a indelicadeza de usar a lupa de Antônio Tonanni para escarafunchar no Diário Oficial os malfeitos de seu amigo Delcídio, basta o mais flagrante dos exemplos da incompetência, para dizer o mínimo, do obcecado senador que encasquetou ser o governador de todos. Até poucos dias atrás, só com binóculo para contemplar seu grande “feito”. Agora não mais, depois das obras de duplicação da Avenida Guaicurus. Aliás, uma grande sacanagem de André Puccinelli, deixar assim à vista de todos a arapuca que Delcídio do Amaral concebeu como Centro de Convenções, seu grande cartão de visitas para a região. A maior obra com recursos de suas emendas em Dourados. Será que não saiu porque não tinha a garantia de levar o nome de seu pai ou porque o gato dos retornos engordou demais e quebrou o telhado da empreiteira? Com a palavra a sempre tão zelosa CEF, que liberou a grana que sumiu, ou a PF e MP para desbaratarem a quadrilha.
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