07/11/2014 – 10h08
Na busca, ainda, dos porquês para a derrota de Delcídio do Amaral, que cantava vitória no primeiro turno, o vendedor aposentado Miguel Valério sentenciava, no começo desta semana, durante uma tradicional roda de café da manhã: o Reinaldo só ganhou por causa daquela cara de bonzinho. Eleitor do brigadeiro Eduardo Gomes, contra o general mato-grossense Eurico Gaspar Dutra, em 1945, tendo assistido ao estrondoso retorno de Getúlio Vargas “nos braços do povo” ao Palácio do Catete, em 1950, vivenciado os anos JK e depois a vitória de outro mato-grossense, o fenomenal Jânio Quadros sobre o marechal Teixeira Lott, bem possível que Valério tenha razão. Dois dias depois, noutro café, nem tão amargo, como propagado, servido por J. C. Torraca numa janelinha do Douradosnews, o que viria a ser o contraponto da definição daquele nonagenário observador e, pior, a antecipada desmistificação da tal mudança de verdade prometida pelo governador eleito Reinaldo Azambuja.
Como faz todos os dias, o experiente João Carlos Torraca, o “Maca”, começou logo cedo, na última quarta-feira, as chamadas de sua coluna “Café Amargo” pelo Facebook, sempre destacando os itens mais picantes. E como um dos destaques era a indicação por Reinaldo Azambuja de um assessor suspeito de envolvimento em esquemas de corrupção para a equipe de transição, resolvi compartilhar, como faço sempre, relembrando o início da trajetória política de Sérgio De Paula, pelo jeito um dos homens de confiança de Azambuja, na equipe do prefeito Humberto Teixeira, em Dourados. Sabe-se lá porque cargas d’água, talvez pela lembrança que não queiram que venha à tona daqueles tempos, não demorou meia hora, e, pimba! Estava decretada a primeira censura do governo sequer iniciado de Reinaldo Azambuja.
Pode ser até – e é bem razoável – que Reinaldo Azambuja, ou mesmo Sérgio De Paula, nem tenham tido conhecimento do ocorrido, que tudo não tenha passado de arroubo de um desses zelosos e nem tão bem pagos assim, mas sempre subordinados, editores. Ou, coisa de quem acha que é patrão (ou patroa) e que por conhecer os altíssimos interesses de quem realmente dita as ordens já deve ter passado as orientações quanto ao tratamento a ser dispensado ao novo governo, aliás, o que nem é novidade, mas daí a tirar um texto do ar é o fim da picada, de um servilismo medonho.
Como a semana vai terminando e o “café amargo” de J. C. Torraca acabou esfriando, dando pinta de que não será mais servido, bem possível que se trate, mesmo, do primeiro caso de censura do futuro governo. Censura ou autocensura? Difícil dizer o que é pior, até por se tratar de um site cuja sociedade é composta, entre outros, por ilustres membros da família Uemura, na qual a Polícia Federal se inspirou para dar nome à primeira grande operação – a Owari – na tentativa pôr um ponto final à corrupção na prefeitura de Dourados. De qualquer forma, um mau começo para Reinaldo Azambuja, desde que Sérgio de Paula, continue, no governo, na condição de eminência parda. A menos que ele tenha mudado seus conceitos em relação a essa coisa de retorno, já que os percentuais da época em que foi secretário de Fazenda de Dourados, segundo fornecedores, eram de deixar Delcídio do Amaral (5%) e Geraldo Resende (10%) no chinelo.
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