19/11/2014 – 10h44
Ao expectador não tão atento às conjuminâncias políticas pode ter parecido apenas excesso de polidez do anfitrião, que pode ser acusado de muitas outras coisas na política, menos de mal-educado. Aos mais ligados, no entanto, foi de altíssimo significado político o gesto do prefeito Murilo Zauith de colocar o empresário Adão Parizotto no proscênio de uma cerimônia marcada pelo excesso de salamaleques pela despedida de André Puccinelli do governo, onde se acotovelavam vereadores, deputados, prefeitos-pedintes da saúde e os papagaios de pirata de sempre.
Diante de arroubos como o do deputado George Takimoto, tido como o pai da criança quando o assunto é o Hospital cuja ordem de serviço para o início das obras era dado na ocasião e para quem André Puccinelli “é o único governador, de verdade, que ele conheceu” (e olhe que Takimoto foi vice-governador de Marcelo Miranda e aliado de primeira hora de Pedro Pedrossian), foi Zauith quem se encarregou de colocar os pingos nos “is”, ao pedir que Parizotto, discretamente colocado atrás do palco se achegasse mais para as devidas homenagens. Lembrou o desprendimento do benemérito empresário, que já havia doado uma área para o hospital do câncer e, agora, as cinco hectares para que se tornasse possível a construção do novo Hospital Regional. “Tudo sem nenhum interesse, apenas para colaborar com a saúde da população da região”, fez questão de salientar o prefeito.
Poderia até ter passado em branco a referência elogiosa de Zauith ao empresário a quem se reportou, em telefonema recente, usando o título que hoje é seu, de primeiro mandatário do município. Poderia, não fosse o esforço do deputado Geraldo Resende em tentar se justificar por ter sempre se colocado contra a agora consolidada conquista de George Takimoto, aproveitando a ocasião para deixar bem clara sua condição como pré-candidato à sucessão municipal daqui a dois anos. E não foi apenas a Geraldo Resende que Zauith sinalizou para que vá tirando o cavalinho da chuva, mas servindo também o recado, embora pra lá de subliminar, ao seu ex-futuro candidato José Carlos Barbosinha, na primeira fila e com cara de poucos amigos, depois da pífia votação que recebeu na eleição para deputado estadual em Dourados.
Com o pedetista Adão Parizotto no centro do palco, entre George Takimoto (o idealizador de sua pretensa candidatura) e o governador André Puccinelli, ao lado de Murilo Zauith, dava até para fazer uma leitura, senão do palanque, das posições de chegada na corrida à prefeitura em 2016. Exceção à notada ausência da ainda peemedebista Délia Razuk, que pode juntar suas mágoas com as de Marçal Filho para a desforra na hora certa, um Zé Teixeira acabrunhado, como se sentisse um estranho no ninho; da mesma forma Idenor Machado, tido como um dos preferidos de Zauith, mas, pelo jeito, precisando sangrar os joelhos em cima de alguns grãos de milho para que surtam efeito suas rezas para não cair no rádio peão os murmúrios dos milhares de motivos que impuseram sua reeleição para o Palácio Jaguaribe. Sem falar que, olhar fixo e lânguido na direção do padrinho André Puccinelli (que, a propósito, sem que ninguém entendesse, descartou a possibilidade de transferir o título para Dourados) estava o peemedebista deputado estadual eleito Renato Câmara. Este, sim, dizem, já em vias de transferir seu domicílio eleitoral de Ivinhema para Dourados, certamente que não apenas para votar na mesma urna do sogro milionário Cláudio Iguma.
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