05/01/2015 – 08h54
Ex-governador fala de sua satisfação por ter organizado as finanças do Mato Grosso do Sul
O ex-governador André Puccinelli continuará ou não na vida pública? A resposta para esta pergunta pode ter grande interferência na história política de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. A expectativa tem razão de ser. O italiano naturalizado brasileiro tem um currículo único na política local. Apenas ele, até aqui, foi eleito duas vezes consecutivas prefeito da Capital e governador do Estado (vencendo as duas eleições para o governo em primeiro turno).
Puccinelli também é reconhecido por suas várias facetas como homem público. Seus adversários já chegaram a defini-lo como um computador, um homem-máquina, sabedor de números, frio e objetivo. A primeira parte é verdade. Ele sabe como ninguém os números da gestão pública. A segunda cai por terra diante de qualquer um que o tenha visto chorar em solenidades.
Nesta entrevista ao Diário Digital, ele assegura estar satisfeito com os resultados dos seus oito anos de governo, embora, quisesse ter feito tudo em dobro. “Rogo a Deus que próximo governador possa fazer mais e melhor”, afirma sobre Reinaldo Azambuja (PSDB) para quem transmitiu o cargo no dia 1º de janeiro. Veja a entrevista:
Qual seu principal legado após oito anos governando Mato Grosso do Sul?
O equilíbrio econômico-financeiro que o Mato Grosso do Sul experimenta. De uma dívida equivalente a 181% da receita corrente líquida, entregamos com uma dívida correspondente a 90%, ou seja, metade do valor inicial em relação receita. Por isso, só este dado é suficiente para, com competência, o próximo governo tocar bem o nosso Estado, e ele ir desenvolvendo-se cada vez mais e melhor.
Dessa forma o Estado pode fazer investimentos?
Sem sombra de dúvidas. Quando se tem recursos, e dos R$ 6,6 bilhões concernentes ao MS Forte 1, somado ao MS Forte 2, a grande maioria destes recursos, cerca de 60%, foram do governo Estadual, cerca de 30% do governo Federal e o restante, totalizando 100%, em parceria com os municípios. Ou seja, um governo que custeou suas ações e pagou os funcionários em dia. Além disso, teve cerca de 60, no máximo 65% dos recursos de investimentos seus, em casa, nas 36 escolas que fizemos, nos 3.662km que construímos de estradas novas e recapeadas, nos seis hospitais já feitos e dois em construção. Enfim, estou satisfeito por entregar um Estado equilibrado.
O que o senhor não fez que gostaria de ter feito nestes oito anos?
Nós fizemos tudo o que a população nos pediu. Mas eu gostaria de ter feito mais casas, ao invés de só 70 mil casas. Eu gostaria de ter feito mais de 36 escolas além destas que fiz. Eu gostaria de ter construído mais do que as 204 novas salas incorporadas em todas as 365 escolas do Estado. Eu gostaria que ao invés de atender as 100 mil famílias na área social, pudéssemos ter chegado a 120 mil famílias. Com o equilíbrio econômico-financeiro que o Estado experimenta, rogo a Deus que próximo governador possa fazer mais e melhor.
Tem algum arrependimento?
Não, porque eu trabalhei cerca de 16 horas por dia. Só se eu fosse super-homem e pudesse trabalhar 20 horas por dia, faria mais do que eu fiz.
O senhor vai mesmo assumir o papel vovô integralmente e ficar longe da política?
Eu vou empenhar a minha palavra. Serei um vovorista , mistura de vovô com motorista.
Então, o PMDB (parte do partido quer Puccinelli no comando da sigla não poderá contar com o senhor daqui pra frente?
Eu vou ser vovorista.
E por que o Senhor acha que a sua liderança neste partido ainda é tão solicitada sendo que há outras pessoas ascendendo?
Acho que é gentileza dos amigos e dos bons companheiros que eu fiz pela política no Estado inteiro. É o bom companheirismo destes muitos companheiros que tenho.
Há algum momento marcante nestes oito anos de governo? Algum momento que o emociona?
A imprensa nacional disse que Mato Grosso do Sul é um exemplo a ser seguido no Brasil. Isso porque entregamos o Estado com o comprometimento de 39% da receita com a folha de pagamento. Além do mais, não teve nenhuma greve de funcionários públicos neste período. Ou seja, o salário subiu bastante. E porque não comprometeu as finanças? Por que o Estado modernizou-se e foi competente para arrecadar muito mais e diminuir a dívida em relação à receita.
Alguma frustração? Por exemplo, não eleger seu sucessor o deixou frustrado?
Não. O povo assim o quis. Dizem que a voz do povo é a voz de Deus. Foi Deus que quis. Vamos ver o futuro como se encaminha.
E o seu plano de abrir uma fundação ou instituto para dar assistência aos jovens?
Faremos um instituto. Vamos demorar um ano para materializemos essa questão. Vamos fazer um instituto para propiciar que crianças expert das escolas públicas possam se especializar em universidade do mundo para voltarem ao Mato Grosso do Sul.

