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domingo, junho 28, 2026

Murilo pode ser vítima da síndrome do sapo fervido

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11/01/2015 – 20h49

Pena que o novo secretário de Fazenda do município, Alessandro Fagundes (um dos mais assíduos frequentadores do Centro Espírita Amor e Caridade), tenha perdido a palestra de Jovina Noveletti no último sábado, quando, como sempre, com seus bem fundamentados argumentos, ela apegou-se à síndrome do sapo fervido para alertar quanto aos constantes – mas nem sempre observados – sinais da espiritualidade para que a humanidade tome tento. Se não tivesse perdido esta aula, Fagundes, com certeza, teria um bom argumento para alinhavar as advertências que certamente precisará fazer na primeira reunião de secretariado em que participará nesta segunda-feira na condição de guardião do tesouro municipal.

Bem possível até que Zauith já conheça a historinha. Pelo sim, pelo não, ela deverá fazer parte do briefing de hoje no trajeto entre sua residência e seu gabinete, com a assessora faz-de-tudo (de motorista à porta-voz), Andrea Vieira, que, por congregar na mesma Casa Espírita de Jovina, deve tê-la na ponta da língua. E como leitora deste Blog, não deverá deixar passar a oportunidade para trocar impressões com o chefe sobre os sinais cada dia mais evidentes de que Waltinho Carneiro, talvez por ser o secretário que mais encarnava os desejos murilistas era apenas uma espécie de saco de pancada e que o buraco é mais embaixo, bem mais embaixo.

Os sinais de que as coisas não vão bem lá pelos altos da Coronel Ponciano são tão fortes e vêm sendo emitidos há tanto tempo que o todo-poderoso secretário de governo José Jorge Leite Zito Filho, num gesto de rara dignidade e coerência, chegou a propor aos colegas para colocarem seus cargos à disposição, quando da passagem do primeiro para o segundo mandato. Ali, Murilo perdeu a grande oportunidade de compor um secretariado verdadeiramente à altura da tão propalada era de prosperidade por ele sempre prometida. Começando pelo próprio Zito, o pomo da discórdia da administração, passando por setores vitais, como saúde e educação, sem falar da inócua secretaria de Cultura, cuja maior tarefa de seu titular é esquentar documentação para cambalachos de poderosos (as) mal-acostumados (as) às gordas tetas da barrosa.

Vítima de uma engrenagem política viciada que compromete tudo o que de melhor possa vir a fazer por Dourados, Murilo corre o risco de passar à história a imagem de pusilânime por insistir em não querer contrariar os interesses de Londres Machado (o padrinho de Zito), do agora ainda mais poderoso Zé Teixeira, que comanda a cobiçada Secretaria de Obras, ou pela fidelidade canina que dedica à companheirada petista que ajudou em suas duas eleições. Coincidência ou não, são as pastas ocupadas por estes apaniguados as que emitem os sinais mais fortes, captados e retransmitidos pela rádio peão, de que pouco ou nada mudou em relação aos tempos uragânicos.

Alguns costumam enfeitar o final da historinha do cururu fervido por continuar estático depois de colocado numa caçarola com água de sua lagoa pela incapacidade de perceber as mudanças (ou os sinais) de seu ambiente. Ele morre, “inchadinho e feliz”, garantem, ao contrário do sapo que, jogado no mesmo recipiente já com a água fervendo, salta pra fora imediatamente. Mais fervura que Murilo Zauith encontrou quando assumiu a prefeitura, impossível. Antes, pois, que seja obrigado “sartar de banda”, melhor fazer a faxina completa, não deixando que apenas seu pupilo Waltinho Carneiro pague o pato pela lambança da turma dos retornos. Dourados não merece ver sua única referência política “morrer” assim, mesmo que inchadinho e feliz.

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Zito, o pomo da discórdia da administração

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