16/01/2015 – 11h38
Bons tempos aqueles em que, depois de emancipada administrativamente de Ponta Porã, Dourados continuou sob a tutela dos políticos fronteiriços. O saudoso Doutor Rachid (Saldanha Derzi), por exemplo. Prefeito, deputado, senador, era como se douradense fosse, pelo tanto que circulava pelas terras de seu Marcelino, resolvendo – não embromando, como hoje – todo tipo de demanda, além de seu pioneirismo como médico de família na Cabeceira Alegre, antes de se firmar na política. Da mesma forma seu herdeiro Flávio Derzi, um dos deputados que mais influenciaram na política douradense. Lideranças consolidadas, justiça seja feita, graças ao peso da audiência do rádio, quando existia um só desses veículos de comunicação, mas com o jornalismo radiofônico levado a sério, sob o comando do mestre Jorge Antônio Salomão.
Bons tempos aqueles em que, concomitantemente com o poderio de Rachidão, o único douradense (João da Câmara) a se sentar no que hoje mais se parece com um trono (de Murilo Zauith), nos tempos, ainda, do velho Mato Grosso, batia no peito e dizia que do Rio Brilhante pra baixo quem mandava era ele – o prefeito de Dourados. Entre outras pendengas, o chega-pra-lá de Totó Câmara no então governador Pedro Pedrossian era pela tentativa de ingerência do então governo sediado em Cuiabá na política douradense. Imagina se o filho de dona Rosa fosse o prefeito hoje, diante da indiferença e do esnobismo de Reinaldo Azambuja com a cidade-sede do segundo maior colégio eleitoral do Estado.
Bons tempos aqueles em que, ascendendo a cacique político douradense, como sucessor de Totó na prefeitura, depois da mais bem sucedida administração pública que Dourados já teve, José Elias Moreira tinha peito de renunciar ao último ano de seu prorrogado mandato para concorrer ao governo do Estado. E fazendo bonito nas urnas, vencendo em todo o interior, só perdendo na capital porque o candidato era Wilson Barbosa Martins, lenda até hoje viva do PMDB, no retorno das eleições diretas para os governos estaduais depois de um longo jejum eleitoral imposto pelo regime militar, do qual o filho de seu Quinzito era um dos mais legítimos representantes.
Bons tempos aqueles em que Dourados se orgulhava de ter um defensor e promotor público, deputado José Cerveira ou um Walter Carneiro como presidente da Assembleia Legislativa. Depois do sonho de alguns verões com Braz Melo, o prefeito que mais perto esteve do Parque dos Poderes; do golpe do establishment em Valdecir Artuzi, porque ameaçava chegar lá, e das empacadas de Murilo Zauith na corrida ao Senado ou na tentativa de chegar ao governo do Estado, Dourados, pelo que parece ser o entendimento do recém-empossado governador, não tem mais representatividade para emplacar sequer um guarda de quarteirão.
Não que Dourados pudesse se orgulhar se viesse a ter um presidente da Assembleia tido como laranja de um esquema criminoso como o da Campina Verde, mas Reinaldo Azambuja (que não perdoa douradense nem quando tem seu nome, como é o caso do filho do intocável vice-prefeito Odilon Azambuja, enxotado sem dó nem piedade do governo só porque era seguidor de André Puccinelli) acaba de dar um jaguané em seu principal cabo eleitoral, o sempre polêmico Zé Teixeira. Quem mandou o deputado posar de douradense? Júnior Mochi, de Coxim, será o novo presidente da Assembleia Legislativa.
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