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Chantagem de Valdirzinho escancara compadrio entre poderes

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04/03/2015 – 11h30

Charles-Louis de Secondat, o barão de La Brède, mais conhecido como Montesquieu, filósofo e escritor francês que lá no início do século XVIII sacou essa coisa de separação dos poderes, deve estar vivendo seus dias de glória na eternidade, se é que não é o espírito reencarnado em Renan Calheiros ou de Valdir Neves. Valdirzinho, mandando avisar que vai promover uma “auditoria rigorosa” na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul; o novo menestrel das Alagoas (tadinho do Teotônio Vilela), dando um chega-pra-lá em Dilma Rousseff, invocando a soberania do Congresso Nacional para devolver a medida provisória que reajustava os impostos das empresas.

Que bom se fosse verdade! A macheza de Renan Calheiros não durou 24 horas. A matéria do Estadão reproduzida aqui no blog é autoexplicativa. Não era pra menos, com seu nome, ao lado do presidente da Câmara Federal na lista do Procurador Geral da República como um dos envolvidos na ladroagem da Lava-Jato. Quanto a Valdirzinho, nada melhor para exemplificar o modus operandi do tribunal por ele presidido do que uma advertência feita por um auditor da Casa a um ex-presidente da Câmara Municipal de Dourados pra lá de encrencado com a rejeição de suas contas: “Isto aqui é um tribunal político, desde que não se percam os prazos, tudo se resolve”.

Pior para a imagem do Tribunal cuja inutilidade de há muito é questionada, não faltando Brasil afora quem defenda sua extinção, é o tom de chantagem do Conselheiro-presidente. Por que só agora a “auditoria rigorosa”? Por que Valdirzinho e seus pares – a senadora Marisa Serrano, inclusive – não aproveitaram a deixa da Uragano para colocar tudo em pratos limpos? Menos mal se em vez de chantagem ele se limitasse a uma advertência ao novato (na presidência da AL) Júnior Mochi para não repetir os malfeitos de Londres Machado, Ari Rigo e Jerson Domingos, este, agora, seu colega de toga e como tal julgador da mesma Assembleia.

Mas não; a trombeta de Valdirzinho soou chantagista porque foi uma represália ao grito do deputado Marquinhos Trad tentando impedir o apito de partida de um novo “trem da alegria” do Tribunal de Contas. E como compadrio pouco (ou só com a Assembleia) é bobagem, sua derrapada escancarou os tão propalados esquemas do órgão fiscalizador também com as prefeituras, já que, segundo o Correio do Estado a ameaça da tal “auditoria rigorosa” poderia ser extensiva à prefeitura de Campo Grande, mais especificamente e, não por coincidência, à administração de Nelsinho Trad. Será que é porque ex-prefeito não pode honrar os compromissos como os das famosas tabelinhas que não deixam os prefeitos perderem os tais prazos?

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