18/03/2015 – 16h10
Ministro da Educação foi convocado por deputados a dar explicações. No dia 27, no Pará, ele disse que Câmara tem 300 a 400 que ‘achacam’.
O ministro da Educação, Cid Gomes, afirmou nesta quarta-feira (18), na tribuna da Câmara, que deputados “oportunistas”, que detêm cargos na administração federal, mas não dão apoio ao governo no Congresso, que “larguem o osso, saiam do governo”.
Mesmo afastado do governo federal até a próxima sexta-feira (20) por motivos de saúde, Cid Gomes, foi convocado a explicar na Câmara dos Deputados uma declaração dada no dia 27 de fevereiro, durante uma palestra a estudantes da Universidade Federal do Pará, na qual afirmou que a Casa possui de 300 a 400 parlamentares que “achacam”.
“Eles [deputados federais] querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele, aprovarem as emendas impositivas”, disse o ministro em Belém.
O ministro iniciou a fala na Câmara dizendo que “respeita” o Congresso, admitindo que deu a declaração. Ele justificou afirmando que era uma posição “pessoal” e não como ministro de Estado, quando começou a receber críticas de parlamentares presentes.
Em seu pronunciamento, Cid Gomes estava dizendo que “respeitava” o Congresso, quando foi alvo de protestos em plenário. Irritado, ele afirmou: “Isso não quer dizer que concorde com a postura de alguns, de vários, de muitos, que mesmo estando no governo têm uma postura de oportunismo”. Vários deputados protestataram e reagiram com irritação ao discurso do ministro, tentando interrompê-lo aos gritos.
Em seguida, o ministro afirmou que os partidos que compõem a base de apoio à presidente Dilma Rousseff deveriam adotar postura condizente.
“Eu não quero aqui me referir ao nobre deputado Mendonça Filho [líder do DEM], partidos de oposição, que têm o dever de fazer oposição. Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso, saiam do governo, vão pra oposição. Isso será mais claro para o povo brasileiro”, disse.
Diante das manifestações em plenário, Cid Gomes subiu o tom e chegou a apontar o dedo ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dizendo que prefere ser acusado pelos parlamentares de ser “mal educado”, a ser acusado de “achacar” empresas, no esquema de corrupção da Petrobras.
De acordo com o ministro, os “400 ou 300” são os que apostam no “quanto pior, melhor”, mas pediu “perdão aos que não agem desse jeito”.
Processo
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou que a Câmara dos Deputados e ele, Cunha, pessoalmente, moverão ações judiciais contra o ministro da Educação, Cid Gomes, que, sentindo-se “agredido”, abandonou a Casa antes de a sessão terminar.
“Eu gostaria de dizer que o procurador, que já havia tomado a sua posição de interpelar, vai receber da presidência desta Casa a orientação de não se ater a uma interpelação, e sim, partir para o processo. E agregado ao processo haverá o processo deste presidente na sua pessoa física”, afirmou Eduardo Cunha.
Depois de ter se pronunciado na tribuna, reafirmado as declarações e de ter ouvido as reações de protesto de vários parlamentares, Cid Gomes teve direito, no final da sessão, a se manifestar por mais dez minutos. Depois da fala do ministro, o deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ) foi à tribuna e disse que “esse cidadão está fazendo papel de palhaço, querendo pendurar uma melancia no pescoço”.
Cid Gomes pediu respeito e tentou retrucar, mas o presidente Eduardo Cunha cortou o microfone do ministro dizendo que ele “nem é parlamentar para interferir”. Diante disso, Gomes deixou o plenário.
Cunha disse que, diante do “abandono aparente” do ministro, decidiu encerrar a sessão destinada a ouvi-lo. “Peço desculpas aos 71 parlamentares inscritos porque vamos perder o nosso dia de trabalho com quem, parece, que não merece ser perdido”, disse, pedindo ao procurador da Câmara que ingresse com uma ação contra o ministro por ter, segundo Cunha, “afrontado” e “desrespeitado” a Casa.
“Não vou admitir que alguém que seja representante do Poder Executivo, não só agrida esta Casa, como agrediu todos os parlamentares, como venha aqui e reafirme a agressão, inclusive chegando ao ponto de querer dominar. Então, a procuradoria vai processar, a presidência vai processar e, se alguém não se sentiu ofendido, tem todo direito de não querer fazer nada e até aplaudir”, declarou Eduardo Cunha.
Demissão
Após deixar o plenário da Câmara, Cid Gomes foi indagado por jornalistas se pediria demissão, conforme os apelos feitos pelos deputados em plenário. O ministro respondeu que o cargo é da presidente Dilma e destacou que, se fosse pedir demissão, não anteciparia o fato à imprensa.
“A presidenta resolverá o que vai fazer. O lugar é dela, sempre foi dela. E eu aceitei, para servir, porque acredito nela. Se eu fosse pedir demissão, eu não poderia, por dever de ética, antecipar, então não vou responder a essa pergunta”, afirmou.
O ministro explicou ainda que deixou o plenário antes do término das falas dos líderes partidários porque se sentiu “agredido”.
“Eu fui convocado, não estava no meu desejo. Já tinha vindo aqui na Câmara duas ou três vezes para conversar com os deputados. Comecei a minha vida no parlamento e respeito o parlamento. Agora, infelizmente fui convocado e agredido. Nessa condição penso eu que estou liberado”, declarou.
(G1)

