23/03/2015 – 06h38
O quadro de incertezas diante da escassez de lideranças políticas de peso e o dilema administrativo que vive Campo Grande desde o processo de impeachment do prefeito Alcides Bernal (PP), acabaram atraindo o interesse de candidatos do interior que pensam em arriscar a sorte nas eleições municipais do ano que vem na Capital.
Como o ex-governador André Puccinelli (PMDB) garante não participar da sucessão do prefeito Gilmar Olarte (sem partido), pelo menos dois deputados estaduais com base no interior pensam em transferir o domicilio eleitoral – Mara Caseiro (PTdoB), de Eldorado; e Felipe Orro (PDT), de Aquidauana.
Eles já manifestaram publicamente o desejo de disputar a prefeitura em 2016, a exemplo dos colegas Marquinhos Trad e Antonieta Amorim, ambos do PMDB, partido que dispõe de outras opções, como o deputado federal Carlos Marun e os vereadores Paulo Siufi e Mário Cesar.
Aliás, a migração de candidatos do interior para a Capital é antiga e revela projetos vitoriosos, como é o caso do próprio André Puccinelli, que trocou a pacata cidade de Fátima do Sul para ser prefeito pela primeira em 1996, quando derrotou o então deputado estadual Zeca do PT por apenas 411 votos.
O nome de Mara Caseiro vem sendo lembrado dentro do PTdoB para postular o cargo desde o ano passado. No entanto, a sua participação no processo eleitoral ainda é incerta, uma vez que a notícia sobre o seu interesse provocou reações contrárias em seu próprio reduto eleitoral.
À imprensa, Mara Caseiro alardeou o desejo de enfrentar as urnas no maior colégio eleitoral sul-mato-grossense por entender que atualmente há um equilíbrio de forças, ou seja, não deve ter a participação de grandes favoritos, como no passado. Ela, no entanto, acha que não é interessante no momento apontar nomes no PTdoB, que dispõe de outras opções, como o nome do deputado Márcio Fernandes.
“O poder político-administrativo em Campo Grande não tem mais caciques. Com isso, nomes e partidos estão, em princípio, num mesmo nível de possibilidades”, teria declarado recentemente a deputada a um site de notícias do interior.
A posição do partido sobre sua participação no processo sucessório da Capital deve voltar a ser discutida no próximo dia 30, durante reunião do diretório regional.
“Os nomes são levantados naturalmente, mas no momento isso não é o mais importante. Primeiro precisamos ouvir bem as forças do partido e da sociedade, identificar qual o programa e quais as demandas que o povo deseja priorizar”, sugere.
Imbatíveis
Sob a justificativa de que no momento não há políticos imbatíveis na Capital e que por conta disso abre-se espaço para novas lideranças, Felipe Orro decidiu transferir trocar seu domicílio eleitoral.
“Vou me colocar como pré-candidato e abrir este debate. Com exceção do ex-governador André Puccinelli, não existe hoje, no meu ponto de vista, alguém que se destaque. Como se diz na gíria, é todo mundo japonês”, acrescentou, lembrando da crise provocada pela cassação do mandato de Alcides Bernal e das dificuldades enfrentadas por Olarte, que na semana passada teve pedido de cassação de seu mandato.
O movimento intitulado “S.O.S. Cultura” solicitou, durante a sessão de quinta-feira (19) da Câmara de Vereadores, a cassação do mandato do prefeito alegando uma série de irregularidades, como inadimplência referente a apresentações culturais contratadas pelo município, não aplicação de 1% do orçamento do município na cultura e não destinação dos recursos do FMIC (Fundo Municipal de Cultura).
Giroto e Modesto também focam disputa
Igualmente interessados na cadeira do prefeito Gilmar Olarte, a vice-governador Rose Modesto (PSDB) e o ex-deputado federal Edson Giroto (PR), hoje secretário-executivo do Ministério dos Transportes, também surgem como alternativas para as eleições municipais do ano que vem na Capital.
Ligada ao grupo político do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), Rose Modesto já monta a sua estrutura em área estratégica da Capital, utilizando inclusive parte do “QG” da campanha vitoriosa do correligionário.
Para analistas, a vice-governadora é uma das potenciais candidatas ao cargo pelo fato de controlar o governo do Estado e deve ir para o confronto municiada para enfrentar os rivais.
Além do PMDB, que integra a base aliada do governador na Assembleia Legislativa, o PT tem vários nomes, como o deputado federal Zeca do PT e o deputado estadual Pedro Kemp. O senador Delcídio do Amaral é outro petista credenciado a concorrer ao cargo.
Um das vantagens da tucana, segundo a leitura que os analistas fazem, é o racha explicito tanto no PMDB quanto no PT, partidos que se desidrataram depois do fraco desempenho nas eleições do ano passado para o governo do Estado.
Também fragilizada em decorrência das sucessivas derrotas do seu grupo, Giroto tentar viabilizar sua candidatura pelo PR contando com o apoio do PMDB de André Puccinelli, de quem é afilhado político.
No último sábado, o ex-deputado participou do encontro do PMDB que contou com a presença do relator da reforma política no Congresso Nacional, o deputado Marcelo Castro.
Na saída da reunião, disse aos repórteres que deseja disputar a prefeitura mais uma vez, motivado pela indefinição do quadro político. Giroto, acha, inclusive, que o PMDB não tem candidato forte.
(Willams Araújo/Conjuntura Online)

