27/04/2015 – 00h14
Pode parecer falta de assunto depois de uma semana de inatividade por conta do périplo cuiabano, mas a coisa é séria: o setuagenário José Elias Moreira, não superado, ainda, como o maior prefeito da terra de seu Marcelino, isto lá na década de l970, está de volta. Não, não é de volta a Dourados, de onde prometera se mudar depois de perder a eleição para o governo do Estado em 1982. De volta à política. Não, não é como cabo eleitoral de Zeca do PT, que substituiu Pedro Pedrossian em seu coração e como seu chefe político. Sim, de volta como candidato a prefeito de Dourados, em 2016!
Consciência pesada
Da última vez em que isso aconteceu me senti culpado. Foi em 1996, vinte anos após sua eleição para a prefeitura. Depois de uma cervejada no Guarujá (não na praia, mas na churrascaria do Nico) batemos o martelo, na casa de seu Quinzito. A fragilidade daquela quarta recandidatura Zé Elias (contra o então vice-governador Braz Melo) era tanta que ele teve dificuldade até para encontrar um companheiro de chapa, no que foi socorrido pelo amigo e correligionário Raufi Marques, que emprestou o irmão Clodoaldo como candidato vice.
Consciência tranquila
Na terceira recandidatura (1988) Zé Elias perdeu, também para Braz Melo, de teimoso. Deputado constituinte, achou que apenas exibindo a nova Constituição em palanque retornaria à prefeitura entregue seis anos antes ao pupilo Luiz Antônio Álvares Gonçalves. Caiu do cavalo. Neste caso, não fiquei com a consciência pesada. Não só eu, como toda a torcida do Corinthians achava que a vez era de Braz Melo. Lembrando que antes de se eleger, contra Lauro Machado (1976), Zé Elias havia dado o primeiro tropicão rumo ao velho casarão da João Rosa Góes contra o então todo-poderoso Totó Câmara (1972).
Canto do cisne
Agora setentão e com muito, mas muuuuuiiiito, mais experiência que da vez em que foi prefeito e das outras em que tentou o retorno, ops!, Zé Elias espera ter em seu palanque não apenas o avalista de sua candidatura, titio Zeca do PT, mas o companheiro de biritas, Lula da Silva e sua preposta Dilma Rousseff. E, claro, trazendo a mala preta, o substituto de João Vacari, o arrecadador petista preso na Lava Jato.
Alô vocês
Assim mesmo, no plural. Sim, porque da primeira vez em que Zé Elias contou com o singular “alô você” foi traído. O microfone da velha rádio Caiuás (que fez Marçal Filho famoso), agora digitalizado, vai estar compartilhado com nomes não menos famosos, mas todos lendo na cartilha do filho do seu Quinzito. Entre os já sondados, Antônio Coca, Antônio Neres, Ezequiel Gonzales, Matias do MS e Odir Pedroso. Fartura de gente boa, conforme o bordão de Sidney Corrêa, outro dos contatados, faltando muito pouco para se colocar um r aí, segundo o enxadrista José Henrique Marques, o ideólogo do esquema. Daí, só remasterizar o jingle: “Meu voto é Zé, José Elias, pra prefeito de Dourados Zé Elias vem de novo é a vontade do povo”. Será?
Cancha
Enquanto Zé Elias aciona Zé do Norte para preparar os arreios do velho pangaré Adão Parizotto alisa a crina de seu alazão e troteia para escapar da tentação do primeiro troca-troca. Sim, porque nem bem o gaúcho de Espumoso pôs os pés nos estribos do cavalo deixado arriado pelo conterrâneo Valdecir Artuzi, de São Valentim, e a turma dos retornos já acena com outras montarias. Do empacado mangalarga de Murilo Zauith ao atolado cavalo pantaneiro de Delcídio do Amaral. Todos, preocupados com o cavalo paraguaio de Geraldo Resende, reforçado por uma potranca adquirida numa pechincha no Haras de um colega perdido num retorno de Brasília, para uma parelha em 2016.
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