20/05/2015 – 09h15
Em toda a luta por um ideal se tropeça com adversários e se se criam inimizades; o homem firme não os ouve e nem se detém a contá-los, segue sua rota, irredutível em sua fé, impertubável em sua ação. Porque quem marcha em direção de uma luz não pode ver o que ocorre na sombra. – José Ingenieros, filósofo argentino.
Por acreditar, talvez, nessa coisa de “governador” regional (uma sacada, apenas, de Reinaldo Azambuja, para se livrar de figurinhas carimbadas, campeões de “pedição” em sua antessala) o chefe da sinecura do governo do estado em Dourados, Valdenir Machado, achou que estava podendo e, sem ter o que fazer em sua saleta, no antigo Dersul, resolveu mover uma ação contra este Blog, na tentativa de provar que não é mensaleiro da Assembleia Legislativa. A exemplo de Marçal Filho e de outros e outros colegas mensaleiros caiu do cavalo.
Ignorante, embora com três mandatos de deputados, Valdenir Machado não se limitou ao pedido de censura para tirar do ar os textos em que é acusado de recebimento de mensalão, um dos quais é ilustrado com o fac-símile de um cheque de R$ 60 mil, que seria de pagamento “por fora”, conforme denúncia feita da tribuna da câmara municipal pelo vereador Jr. Teixeira no dia em que teve seu mandato cassado por envolvimento na Uragano. Ele vai além, pedindo também a censura prévia. Depois de alegar que “é absolutamente necessário e razoável que estas publicações sejam retiradas imediatamente da internet para que não causem danos ainda maiores” pede que o blog “pare de fazer postagens de teses absurdas e lamentáveis alegações no que tange à veracidade de documentos”. Sinal que o blog continua incomodando e assustando os fora da lei da política.
Ao negar o pedido, passando uma liçãozinha básica de Direito e aproveitando para lembrar ao ex-deputado que o ordenamento jurídico vigente no Brasil é o estado democrático e de Direito, o juiz Jonas Hass Silva Júnior informa quanto à inadmissibilidade de censura, seja prévia ou posterior. Quanto ao direito de resposta concedido, fica a expectativa para as explicações de Valdenir Machado, diante da impossibilidade de se defender do indefensável depois da contundência da denúncia feita pelo ex-deputado Ary Rigo, que como primeiro secretário da Assembleia assinava os cheques juntamente com o então presidente Londres Machado.
O que provocou a ira de Valdenir Machado e toda a “república do Panambi” foi a matéria “Azambuja debocha de Dourados, montando sinecura para mensaleiro da Assembleia”. Num segundo momento, conforme consta da ação em que ele move contra o blog, outro texto de advertência por sua insistência em reabrir a ferida uragânica, quando escrevi que supondo-se que ele conseguisse provar que o cheque aqui apresentado não era para ele, certamente que seria de algum colega de mensalão. Quem sabe de algum desembargador do TJ, como o próprio Valdenir alardeia, para tentar tirar o seu da reta, ou para algum membro do Ministério Público, como denunciado por Ary Rigo. Mais e melhor que ninguém, Valdenir sabe que a checaiada existe e que é o tipo de negócio que quanto mais mexe mais fede. O que talvez ele não saiba é que esses cheques estão muito bem guardados. Em vários cofres, intactos e prontinhos para virem a público. As cópias e os originais. “Doela a quem doela”.
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