09/06/2015 – 09h51
Além de chorado, pela famosa muquiranice do anfitrião, nunca o cafezinho servido por Geraldo Resende esteve tão amargo. Mesmo lambendo os beiços de vontade de repetir pelo menos uma vez as sempre contadinhas e não menos famosas porções de escalopes da cozinheira oficial Ely Oliveira, André Puccinelli preferiu se conter, temendo uma indigestão pelo que já esperava ouvir durante o almoço com o anfitrião Murilo Zauith. No último andar do prédio das Araras, a ingratidão se revelou tão grande que Marçal Filho sequer serviu um gole d’água para que o ex-patrão pudesse melhor digerir o seu tão seco não! Ainda bem que, amigos, amigos, política à parte, Roberto Razuk é mais fino, tratando logo de empanturrar Puccinelli com quibe cru e cervejinha bem gelada para que ele não tivesse tempo de fazer proposta indecorosa à sua Délia durante jantar que fechou ontem a infrutífera visita do ex-governador em busca de um consenso para o lançamento de uma candidatura peemedebista à prefeitura de Dourados.
Complementando uma à outra, mas sem entrar no cerne da questão e deixando escapar o real objetivo da viagem do ex-governador, as manchetes dos dois impressos douradenses que tiveram também a honra de receber sua visita deixam claro o fracasso na tentativa de entendimento, se é que houve. “André tenta unir o PMDB, mas não consegue evitar debandada”, informa Fábio Dorta, do Diário MS. “PMDB em Dourados anuncia pré-candidato em 30 dias”, repica O Progresso. Veja bem que o jornal do seu Amaral fala em pré-candidato, o que é bem diferente, dando margem a muita lengalenga até que se chegue aos percentuais de retorno, que é, efetivamente, o que interessa a quem vai para a briga.
Interessante é que André chegou ao escritório de Geraldo Resende dizendo desconhecer as divergências internas de seu partido. “Não sei quais são estas arestas, elas existem?”, disse ao Douranews. Mas, depois das lamúrias do intramuros peemedebista, principalmente de murilistas, como Sebastião Nogueira, um dos mais contrariados com a candidatura Resende, ele capitulou e, já no sofá de Adiles Torres, garantiu: “lavamos toda a roupa suja e o PMDB vai ter candidato do partido (sic) em Dourados”. Interessante notar também a diferença entre a contundência da declaração a ele atribuída, entre aspas, e a informação da manchete da mesma matéria.
Mas, afinal, qual a razão de todo este jogo de cena? Além da informação dada ontem aqui no Blog, de que André Puccinelli não está nem aí para a sucessão douradense e que sua visita era para iniciar o retorno ao Parque dos Poderes, o que pesou, principalmente em todas essas ameaças, foi o veto do prefeito Murilo Zauith aos nomes dos peemedebistas Geraldo Resende, Marçal Filho, Délia Razuk e Celso Dal Lago. Com, ou para, esses não tem retorno. Se André topar brincar de fincar postes, com Odilon Azambuja, Sebastião ou Antônio Nogueira, ele topa. Se quiser tentar uma aliança suprapartidária, com Zé Teixeira e Barbosinha, tudo bem. Como isso é impossível, vai todo mundo pro pau e que vença o melhor. Ou, nas palavras do alcaide, “o que tiver o melhor projeto”. Ele, mais uma vez, lava as mãos.
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