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A falta que faz um senador para a Grande Dourados

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16/06/2015 – 08h56

Uma das melhores histórias de nosso anedotário político saiu de uma audiência do prefeito de Ponta Porã, Ayres Marques, em companhia do senador Rachid Saldanha Derzi, com o ministro das Minas e Energia do governo Geisel, Shigeaki Ueki. Passados alguns minutos da hora marcada, o português, como Ayres era chamado, começou a andar de um lado para outro na antessala. Conforme o tempo ia passando os resmungos aumentando, e o prefeito começando a esbravejar pela falta de respeito, lembrando que na fronteira as autoridades costumavam respeitar horários. Quando o ministro chegou – para desespero de Rachidão – Ayres foi na goela dele: “Toco, você por aqui, como está elegante, o que faz aqui?”, ao que o ministro, também constrangido, respondeu que ali era seu lugar de trabalho. “E o que você faz aqui, toco?” Ao ouvir do amigo de infância que era ele o ministro Ayres se entusiasmou ainda mais: “Mas logo você, tão muquirana, ministro, Janjão!”, disse, já com um pé atrás, aí recorrendo ao apelido do japonesinho de Bastos(SP) na juventude.

O resultado dessa audiência foram os postes de madeira emendados que até pouco tempo sustentavam a rede de energia de Dourados até Ponta Porã. De nada adiantou a alegação do muquirana Ueki de que não havia recursos para a obra. Aires bateu o pé, mas muito mais que a amizade com o ministro prevaleceu o aval de Rachidão. E o ministro teve que se virar nos trinta para que a mais importante cidade fronteiriça não continuasse às escuras. Foi também na época de Rachidão, que era de Ponta Porã, que saiu o PRODEGRAN – o Programa de Desenvolvimento da Grande Dourados, depois da CAND (a Colônia Federal), que marcou o início de uma era desenvolvimentista, o um grande programa de obras de infraestrutura, ao contrário dos programas de marquetagem como os de agora.

Sem entrar no mérito (se é que existe) da discussão de qual é a melhor ou mais viável rota da tão decantada ferrovia bioceânica, mas, olhando, assim, en passant, para o mapa que ilustra este texto, não tem como não questionar: será que se a Grande Dourados tivesse seu tão sonhado senador o traçado seria este aí, lá por cima?

Quem respondeu a pergunta foi o senador mato-grossense Blairo Maggi, em pronunciamento na tribuna do senado na semana passada para analisar o novo programa de privatização do governo federal na área de transportes. Mesmo manifestando seu ceticismo em relação à implantação da dita ferrovia o um dia rei da soja aproveitou para tecer loas à sua Rondonópolis (cidade sempre usada para efeito de comparação com Dourados), já beneficiada com um ramal da ferrovia Norte-Sul, mas deixando claro que se um dia a bioceânica sair do papel ela vai cortar o Nortão do Mato Grosso e isso se deve, fundamentalmente, ao trabalho da bancada federal daquele estado. Mesmo que estejamos falando de anedotário político ou de mais uma obra de ficção – como o trem bala – do governo petista, não custa perguntar: onde estão ou o que andam fazendo os nobres senadores do Mato Grosso do Sul, Delcídio do Amaral, Simone Tebet ou Waldemir Moka?

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