27/06/2015 – 17h12
Embora não tenha dito ipsis litteris que será candidato a prefeito de Dourados se “houver união de classes”, como cravou título de um portal de notícias local, o deputado estadual Zé Teixeira (DEM) delimitou, como diria o apresentador Faustão “mais do nunca”, a correlação de forças nas eleições municipais de 2016.
Na verdade, Zé Teixeira, admitiu a possibilidade de se candidatar à sucessão do prefeito Murilo Zaiuth (PSB), durante encontro de empresários na Associação Comercial e Empresarial de Dourados (Aced), desde que haja “união de toda a classe política para que isso aconteça”, porque “vontade ele tem”.
Entretanto, ainda que a união pretendida por Zé Teixeira seja da classe política, pelo menos duas candidaturas, no mínimo, estarão colocadas no ano quem vem. O acirramento político entre as forças lideradas pelo PSDB, entre elas o DEM e o PPS, e aquelas ligadas ao PT, não permite de antemão uma coligação entre esses partidos por que há veto dos diretórios nacionais.
A declaração de Zé Teixeira remete às duas eleições vencidas por Murilo, onde os principais partidos se uniram em torno dele – praticamente foram vitórias por WO. Não houve de fato a disputa acirrada que caracteriza a maioria dos pleitos municipais de Dourados.
Não há hoje ambiente político, inclusive em Dourados, para se formar, por exemplo, uma chapa DEM-PT. Em 2011, quando esses dois partidos se uniram na eleição extemporânea e elegeram Murilo Zauith e Dinaci Ranzi o contexto era outro. E, com certeza, Zé Teixeira jamais concordaria em se tornar “socialista” como Murilo se submeteu à vontade do senador Delcídio Amaral. Seria suicídio político do pecuarista, também conhecido como “Zé do Boi”. E também, jamais as forças à esquerda o apoiariam.
Conjunturalmente, o atual prefeito pode participar apoiando e indicando correligionários de qualquer um dos projetos, já que defende as cores do PSB, embora setores expressivos do PT até hoje não engulam a então inédita coligação protagonizada por Murilo e Dinaci.
Nessa encruzilhada e atento aos movimentos de Murilo Zauith, o PT tem boas candidaturas para colocar. Sobressai-se o nome do ex-prefeito Laerte Tetila, que teve aqui cerca de 10 mil votos para deputado estadual nas eleições do ano passado. O deputado estadual João Grandão, o professor Damião Farias e os vereadores Dirceu Longhi e Elias Ishy também são opções.
Ainda que esteja sob forte ataque midiático dos veículos das seis famílias que controlam a imprensa brasileira, o PT tem em Dourados quadros, base nos movimentos populares e muito tempo no horário eleitoral gratuito.
Unido o PT pode fazer a diferença, mas rachado como nas duas eleições em que apoiou Murilo no DEM e no PSB, o embate pode ser fratricida e comprometer até o espaço que tem na Câmara de Vereadores com Ishy e Longhi. Quem viver verá.(José Henrique Marques)

