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sábado, junho 27, 2026

Hora de André começar a rezar o “ajuda eu” a são Valdecir

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20/07/2015 – 08h42

Numa das últimas conversas que tive com Ari Artuzi, ele já definhando pelo câncer, recebi uma das mais inusitadas propostas de minha trajetória como marqueteiro político bissexto. Jurando ser lenda ter enterrado em garrafas pets o dinheiro que seria fruto de corrupção que provocou sua prisão e renúncia, propôs uma recompensa com um depoimento histórico contando seu calvário, mas, com sua inquietude oceânica, adiantando o dado que talvez seja o mais intrigante de toda a Uragano, capaz até de, um futuro não muito distante, pôr fim a todo mistério que ainda envolve a operação policial que varreu do mapa toda uma geração política na terra de seu Marcelino.

Como, depois do mensalão, virou moda no Brasil esse negócio de delação premiada, não é de se duvidar que a história adiantada ao Blog tenha chegado em gravação de áudio e vídeo que o danado do Valdecir deve ter feito com alguém de sua mais estrita confiança à Polícia Federal e ao Ministério Público. Neste caso, como sabia estar próximo o seu desencarne, dando-se por satisfeito em trocar a redução de uma provável pena terrestre pela certeza da morada celestial. Mais que merecido (pelo que ele andou aprendendo em seus últimos dias com a nova companheira evangélica, a cabeleireira Marinete) para quem, “ignorada” sua condição de prefeito da segunda maior cidade do Estado – mesmo sem ter sido julgado, sem provas concretas dos crimes pelos quais fora acusado – foi jogado num presídio de segurança máxima exclusivo de presos de altíssima periculosidade.

Uma história aterradora, que o também desencarnado Gabriel Garcia Marques descreveria como a crônica de uma renúncia anunciada. Como nosso personagem maior está morto, seria impossível uma acareação, a menos que o judiciário recorresse aos poderes da mediunidade e que ele estivesse prematuramente pronto para este breve e histórico retorno. Enquanto isso fica a não menos aterradora expectativa de que o sempre espevitado Valdecir tenha saído da ameaça para a gravação que considerava uma bomba com poder de destruição total sobre o Parque dos (três) Poderes.

Quem conviveu ou acompanhou as peripécias do fenômeno Valdecir sabe que ele não era de mandar recados ou de deixar nada para depois. Também não era de guardar mágoas por bobagens, como, por exemplo, a de ser sempre ridicularizado como animal de pelo curto por André Puccinelli. Muito menos por ter sido obrigado a assinar a carta de renúncia que esfregaram em seu nariz, sob a mira de uma escopeta, como condição para sair da cadeia (ops.! quase esqueço do principal da história) às vésperas das eleições gerais de 2010, quando o mesmo André Puccinelli concorria à reeleição. Se Artuzi entregou o ex-governador e sua turma, foi por coisa pior. Lama-asfáltica? Taí uma coisa que ele entendia, e muito bem. Se André Puccinelli, Edson Giroto, João Amorim e demais envolvidos no lamaçal asfáltico de Campo Grande vão ter o mesmo triste fim do ex-prefeito douradense, como corre solto no in-box – a rádio peão – do Facebook, seria o caso de André e seus áulicos incorporarem em suas rezas o bordão famoso “ajuda eu”. Para o “são” Valdecir, claro, de São Valentin.

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