24/07/2015 – 07h49
Em escutas telefônicas, PF identificou palavras usadas pela quadrilha para camuflar acordos
A organização criminosa supostamente chefiada pelo empreiteiro Joçao Amorim, dono da Proteco Construções, empreendimento que mais vence licitações públicas em Mato Grosso do Sul, quando convocava reuniões para eventuais acertos financeiros, segundo a Polícia Federal, recorria a expressões como “vem tomar um café comigo”, “preciso te entregar um documento”, “um pacote”, “uma coisinha”, “ingresso de circo”.
Isto é possível notar nos diálogos telefônicos captados por meio de escutas autorizadas pela 5ª Vara Federal, em Campo Grande.
Em um dos diálogos, Elza Cristina, sócia e secretária de Amorim, liga para o deputado estadual Maurício Picarelli, do PMDB. Ela diz que a ligação era feita a pedido de um certo “Doutor Nelson” e combina o encontro, mas o parlamentar manda sua chefe de gabinete, Márcia Regina. Mais tarde, Elza e Regina se encontram no estacionamento da Unimed, no Jardim dos Estados. De acordo com a investigação da PF, Márcia, a chefe de gabinete de Picarelli, “recebe um pacote com dinheiro dentro”.
Antes de se encontrarem, Elza usou expressões diferentes para entregar o pacote a Márcia. Na primeira ligação, Elza diz que o deputado pediu para procurá-la. A chefe de gabinete de Picarelli logo pergunta se era para “entregar os ingressos”.
Além do cafezinho, João Amorim era generoso com os companheiros políticos. Os chamegos surgiam, por exemplo, com frequentes empréstimos de seu jato Embraer Phenom 100 a amigos políticos como o então governador André Puccinelli e seu secretário de Obras Edson Giroto. Os parceiros do empreiteiro apelidaram o jato de “cheio de charme”.
Celso Bejarano/Correio do Estado
PS – Retorno, assim, em itálico, é como a palavra propina foi popularizada aqui no blog, depois da Uragano.

