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Uma boa – e nova – alvorada para o Mato Grosso do Sul

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26/07/2015 – 10h21

Imaginemos uma situação que, se não fosse dramática, como parece, poderia ser cômica: o sempre debochado André Puccinelli, numa cuidadosa tentativa de se esquivar dos ventos do furacão uragânico provenientes de Dourados ainda ameaçando devastar o Parque dos (três) Poderes em Campo Grande, escorregando com seu famoso uninho vermelho numa lama asfáltica, vendo-se obrigado a atravessar a faixa amarela contínua e dando de cara com a Polícia, no caso, Federal. Com seu português empolado, depois de tentear uma carteirada com a desculpa de que o governador não poderia chegar atrasado a Nova Alvorada, jogando toda a culpa por tantos transtornos e constrangimentos em seu eterno companheiro de jornada, Edson Giroto, por não ter providenciado uma caroninha amiga no “cheio de charme”, o jato do empreiteiro preferido, João Amorim, sempre disponível para essas situações.

Com a população ainda boquiaberta e estarrecida com esta escorregada, que pode ter sido fatal, e agora que o escândalo foi escancarado, inclusive no Jornal Nacional, forçando até o mais tradicional dos subordinados impressos a também entrar no assunto, nada mais providencial do que as charadas do próprio Puccinelli para o entendimento de sua estratégia política. E, se deu certo para a primeira fase de um amplo e duradouro projeto de poder, podendo representar um desastre agora numa eventual retomada. Neste caso, de tanto falar que preferia cuidar dos netos a pensar em retorno, ops!, uma nova alvorada peemedebista em Mato Grosso do Sul só com o brilho de um novo astro, que, obviamente, teria que nascer em outras órbitas.

Em sua (falta de) estratégica (pela) inquietude pelo poder, sem demérito de sua capacidade administrativa, André Puccinelli talvez tenha começado a se perder lá atrás ao tentar conter o natural curso do Prosa e do Segredo, os “rios” que cortam a capital, quando, já em sua sucessão como prefeito tentou enfiar Edson Giroto goela abaixo do eleitor campo-grandense, no que foi contido pelo não menos inquieto jornalista Antônio João Hugo Rodrigue. Como sempre, AJ fez valer o peso de seu Correio do Estado impondo o nome de Nelsinho Trad. Pois não é que, birrento, o italiano esperou oito anos para, aí, sim, como plenipotenciário mandatário estadual emplacar, enfim, seu preposto como candidato a prefeito da capital? Por que tanta insistência? Só o cofre de João Amorim, agora arrombado pela Polícia Federal, para justificar tanto bem querer. E o Bernal? Uma sequência de erros tão primários só poderia ter dado nisso, num estrupício, a exemplo do douradense Valdecir, como prefeito da capital morena.

Nesses tempos de mensalão e de petrolão, com tanta gente poderosa já atrás das grades e outras, mais ainda, na iminência de fazer, também, o curso de canarinho, além do deboche de sempre, agora o que beira ao escárnio. Se fosse só com o povo, vá lá, 2018 está aí e nada com uma eleição após a outra para vingança, que não se não é maligna, é sempre sábia. Os áulicos de sempre, muitos dos que também enricaram nesse mar de lama, como se os eleitores fossem um bando de idiotas e não estivessem esperando a hora para, aí, sim, dar uma resposta à altura, nas urnas, garantindo que André Puccinelli não está preocupado com as denúncias, que é tudo bravata, dando a entender que o destino de tudo o que está sendo apurado pelo Ministério Público e da Polícia Federal é o arquivo morto do Tribunal de Justiça do Estado. Talvez. Tanto que até as explicações de todos os enlameados seguem o mesmo padrão dos impunes do mensalão ou do petrolão: “não sabiam de nada ou não conhecem o processo, tudo foi dentro da lei, colocam o sigilo bancário e telefônico à disposição da justiça”, blá, blá e blá. Só assim, quem sabe, para que o Mato Grosso do Sul tenha uma boa – e nova – alvorada.

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A derrapada do uninho famoso, na lama asfáltica

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