03/08/2015 – 14h06
Da última vez que estiveram juntos, no mesmo palanque, foi na eleição municipal de 2000. Rejeitados por Murilo Zauith, que – embora com João Totó Câmara como candidato a vice-prefeito – queria dar ares de modernidade a sua candidatura, os já naquela época tidos como políticos da velha guarda se juntaram para apoiar a candidatura de George Takimoto. Só não se pode dizer que foi um abraço de afogados, ao proporcionarem a ascensão do petista Laerte Tetila, porque alguns resistiram às intempéries da política e aí estão, firmes e fortes, como o próprio Takimoto, ressurgido no vácuo dos ventos uragânicos, e Zé Teixeira, que, depois de ameaçar transferir o título de eleitor para Caarapó, pelas pífias votações em seu reduto eleitoral, com a eleição por ele avalizada de Reinaldo Azambuja ao governo do Estado voltou a sonhar com a prefeitura de Dourados.
O retorno dos agora mais do que nunca “jurássicos” é consequência direta do vazio político deixado pela Uragano e da inapetência de Murilo Zauith, que já mandou avisar que não pretende liderar o processo de sua sucessão, embora seu chefe de governo, José Jorge Leite Zito Filho (sempre a serviço de Londres Machado) trabalhe dia e noite para tentar emplacar a dobradinha Zé Teixeira-Marçal Filho. A turma da bengala não impõe nomes, mesmo que alguns saudosistas insistam trazer alguns deles à tona, relembrando grandes feitos como os das administrações Zé Elias e Braz Melo. Até o ex-prefeito Humberto Teixeira, quietinho em sua leiteria em Vicentina, mas recém-filiado ao PV, está em QAP, ou seja, quando acionado pronto!
Dos velhinhos embalados pelo canto do cisne o mais animado é Braz Melo, prefeito à época em que o grupo se juntou pela primeira vez. Também rejeitado por Zauith, por ele tido como uma ovelha desgarrada de seu grupo, Braz ajudou discretamente na campanha de Takimoto. Sucesso de marketing em sua primeira administração, dois anos depois do término da segunda tentou se reeleger deputado, não conseguindo chegar aos três mil votos. Zé Elias, derrotado por Totó Câmara em sua primeira tentativa (1972) de ser prefeito, depois de (pelo sucesso de sua administração,1976-82) quase ter virado governador, tentou voltar duas vezes (1988 e 1996) à prefeitura enquanto era deputado federal, perdendo em ambas as ocasiões para o próprio Braz Melo. Humberto Teixeira virou prefeito (1992) graças ao racha do grupo de Braz, pela imposição do nome de Antônio Nogueira.
Claro que esse assanhamento todo não pode ser visto apenas como parte do discurso pela necessidade de se recuperar a autoestima perdida da política douradense depois da Uragano, que dizimou toda uma geração de lideranças em formação, não apenas o fenômeno Ari Valdecir Artuzi como quase a totalidade da legislatura 2008/2012. No fundo, no fundo, mesmo conscientes das limitações de idade e, principalmente, da tal da estrutura de campanha, tanto Braz Melo quanto Zé Elias, sonham com um eventual retorno, ops! Mas, como bons mineiros, ressabiados por natureza, ficam na torcida do quanto pior (para os aliados petistas e os chafurdados na lama asfáltica), melhor, para eles.
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