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A ilusão de retorno de Zeca do PT

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04/08/2015 – 23h39

Tudo bem, acabou para André Puccinelli? Para ele e para sua caterva, embora duvidem os áulicos e os privilegiados integrantes do restrito grupo que fez pequenas fortunas nesses vinte anos em que ele reinou soberbo e absoluto. Mas, daí Zeca do PT, amigo e companheiro de biritas de Lula da Silva, achar que com isso ele retorna à crista da onda em Mato Grosso do Sul já seria ingenuidade demais. A menos, claro, para os mais chegados entre a companheirada, que, se não se esbaldaram tanto (até por falta de tempo) quanto os seguidores do italiano também não têm do que reclamar, bastando atentar para o detalhe do verdadeiro ferro velho que era o entorno do Parque dos Poderes quando o pantaneiro assumiu e, oito anos depois, a frota de carrões, importados, de preferência, na mais cabal demonstração das assertivas do antológico frasista petista Carlito Maia, para quem a esquerda começa a deixar de ser esquerda quando começa a gostar de dinheiro.

Que André Puccinelli continue a se comportar como se nada estivesse acontecendo, até dá para entender. Com dificuldades, ainda, para “desencarnar” do poder, como diria Lula, e apostando todas as fichas no fracasso do indelicado convidado para o teatro que montou para defenestrar da política a família Trad, uma escorregada como a que deu na lama asfáltica é, sem sombra de dúvidas (não é mesmo, companheiro João Grandão?) para deixar qualquer um desorientado. Ainda mais, diante de tanta e espalhafatosa soberba. Mas, de novo, Zeca do PT querer se aproveitar para tripudiar em cima do figadal adversário, senão uma tremenda covardia, até pelo cada vez mais prolongado inferno astral partidário, uma temeridade oceânica.

Que André Puccinelli aprenda, quando, e se, passar esta borrasca (tá vendo, governador, borrasca, em vez de furacão [uragano, em italiano], como poderia ser aurora, em vez de alvorada). Foi aparecer a cara de Zeca do PT nas mídias sociais, arvorando-se de arauto da moralidade e veio a saraivada. Com André talvez ainda não tenha acontecido pela incredulidade do acontecido e estupefação geral de quem punha fé em seu discurso moralista. A coisa está quente, ainda. Mas é só acabar de escorrer toda essa lama, com os processos se afunilando e o chicote vai cantar também.

Se Zeca do PT pensava em retorno, mesmo que seja assim, sem aspas, deve começar a rever seus planos, depois da reação dos internautas à sua provocação, fazendo-se de bobo, em entrevista ao Midiamax, estranhando por que prenderam (de novo) seu companheiro Zé Dirceu enquanto que André Puccinelli continua solto. Dos comentários compartilhados no perfil do sempre polêmico B. de Paula, no Face, dá para se ter uma noção da média da opinião dos internautas. “Tenho nojo desse verme, quem é ele pra falar algo?” questiona Valéria Domingos Cesar. “Zeca, você deveria estar junto com o Zé Dirceu”, diz Josivaldo Mota. Ramão Martins, acrescenta Lula. E, como que sugerindo a formação de quadrilha, Adriana Fetter Torraca, depois de lembrar que “o senhor roubou tanto e continua solto”, incluindo a presidente Dilma Rousseff no que seria na mesma cela. Bem-humorado, Beto Duarte recorre ao sujo falando do mal lavado: “E o Zeca também continua lindo, leve e solto”. E por aí vai, com a coisa baixando o nível quando algum petista se arrisca a sair em defesa dos quadrilheiros. Se, desta vez, não prevalecer o Vox Populli vox Dei, só o Apocalipse.

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