12/05/2016 – 18h21
Em discurso de posse, presidente em exercício falou em governo de salvação nacional e pediu confiança à população
Em discurso de posse na tarde desta quinta-feira (12), o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) pediu que os brasileiros colaborem e apoiem as reformas que o novo governo virá a tomar, como a do Trabalho e da Previdência. Segundo ele, as modificações futuras têm como objetivo o pagamento das aposentadorias e a geração de emprego.
“Vamos precisar do trabalho integrado entre Executivo e Judiciário. Vamos precisar muito da governabilidade, que exige além do que chamo de governança, é o apoio do povo, que precisa colaborar e aplaudir as medidas que viemos a tomar”, disse Temer, pregando também a revisão do pacto federativo e a autonomia de estados e municípios “sob a égide de uma federação real, e não de uma federação artificial como vemos atualmente. A força da União deriva da força de estados e municípios”.
Temer pediu, ainda, que o discurso da “crise” fique para trás. O presidente interino afirmou, em tom de brincadeira, que quer espalhar milhões de outdoors pelo Brasil com a inscrição “Não fale em crise, trabalhe”. Ele garantiu que “nenhuma dessas reformas alterará o direito de cidadãos brasileiros” e que quando o pedirem para tomar alguma medida, ele fará como o ex-presidente Eurico Gaspar Dutra e vai perguntar ao seu interlocutor “O que é que diz aquele livrinho?”. “O livrinho é a Constituição Federal”, completou Temer.
O presidente se comprometeu, também, com a manutenção de programas sociais, mas afirmou, sem detalhar, que algumas dessas gestões precisam ser “aprimoradas”. Temer reiterou o discurso que já vinha pregando, de que saúde, educação e segurança pública competem à gestão pública, mas que o Estado “não pode fazer tudo”.
“Teremos que incentivar de maneira significativa as parcerias público-privadas, o Estado não pode tudo fazer, depende da atuação dos setores produtivos. Ao Estado compete cuidar da segurança, da saúde, da educação, dos espaços e setores fundamentais. O restante terá que ser compartilhado com a iniciativa privada, na conjugação de trabalhadores e empregadores. O cidadão só terá emprego se as atividades de serviço estiverem todas caminhando bem. Vamos manter os programas sociais, o Bolsa Família, o Pronatec, o Prouni, o Minha Casa Minha Vida, entre outros. São projetos que deram certo e que terão sua gestão aprimorada. Precisamos acabar no Brasil com o hábito de destruir o que o governo anterior fez, é preciso prestigiar aquilo que deu certo, completá-los e aprimorá-los”.
Aplaudido pelos ministros, líderes partidários, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), e convidados para a cerimônia, Temer afirmou que pretendia que a posse fosse “sóbria e discreta”, mas que foi convencido a transmitir, já em seu primeiro discurso, algumas propostas. O presidente fez um apelo para que a população acredite no país e na retomada do crescimento econômico.
“Minha primeira palavra ao povo brasileiro é a palavra confiança. Confiança nos valores que formam o caráter de nossa gente, na vitalidade da nossa democracia, confiança na recuperação da economia, dos potenciais do nosso pais, em suas instituições sociais e políticas e na capacidade de que unidos poderemos enfrentar os desafios desse momento de grande dificuldade”.
O novo chefe do Executivo declarou que tem “absoluto respeito à senhora presidente Dilma Rousseff” e que não discute as razões pelas quais ela foi afastada. “Temos que recuperar no nosso país a cerimônia institucional em que as palavras não sejam um mal-estar entre os brasileiros”, disse ele. “É um momento difícil, delicado, ingrato. Não é momento para celebrações, mas de profunda reflexão, mas não podemos olhar para frente com olhos de ontem”. (Jornal do Brasil)

