19/05/2016 – 11h07
“Com salário de R$ 11 mil, como gerente de obras da Agesul, Hélio Yudi Komiyama, com ajuda da esposa, sem renda declarada, e do filho, com remuneração de R$ 8 mil, comprou três lotes num luxuoso Parque Residencial e um apartamento, em Campo Grande, além de um veículo BMW”. Informação da Polícia Federal, sobre o milagre da multiplicação dos rendimentos de um dos integrantes da quadrilha Lama Asfáltica.
Tudo bem que se trata de uma ninharia os números estampados hoje como destaque no portal do Correio do Estado, perto do rombo milionário, ainda em fase de contabilização, provocado pela quadrilha comandada pelo empreiteiro João Amorim nos cofres públicos durante o governo André Puccinelli. Mas, pelo teor de uma inusitada postagem de um assessor da Governadoria que ficou no ar ontem no Facebook o tempo suficiente para causar indignação, antes da autocensura – e já que estamos falando em roubalheira em nível de terceiro escalão – a turma do governador-censor Reinaldo Azambuja parece estar indo com muito mais sede ao pote.
Tudo bem, também, como escrevi ontem aqui na coluna Rapidinhas, que o escárnio do tucano Dorival Betini, em que pese sua tão propalada experiência como assessor parlamentar, que lhe credenciou como assessor político da Casa Civil (para cuidar das eleições municipais, como se isso fosse lícito), pode não ter passado de um ingênuo exibicionismo. Mas de uma infelicidade oceânica, num momento em que, em plena operação “Fazendas de Lama” a Polícia Federal faz uma devassa nas falcatruas do governo anterior. Por conta, inclusive, de alguns aviões, como o “cheio de charme” do agora presidiário Amorim.
O recado de Betini, todo faceiro, ao lado do bico “tucano” de um bimotor que parece novinho em folha (com um milharal ao fundo), não deixa dúvidas: “para visitar a lavoura”. A pergunta que fica, nesses tempos de tantos laranjais, é se a lavoura – e também a aeronave! – é dele (o que, pelo pouco de tempo do atual governo colocaria o larápio assessor de Puccinelli como trombadinha), de seu famoso chefe imediato, Sérgio de Paula ou do chefe maior, o Azambuja.
Pior. Depois do escancarado flagrante dado pela Polícia Federal em Delcídio do Amaral calculando autonomia de voo para a rota fuga de Nestor Cerveró a derrapada de Dorinal Betini só faz aumentarem as elucubrações quanto à continuidade dos negócios de fazendas, tipo, “de lamas”. Até porque, como se vê, a indigitada aeronave tem bagageiro (para a eventualidade de precisar transportar malotes com dinheiro vivo) e tanque de combustível suficientes não apenas para sobrevoar a ultimamente tão valorizada região Sudoeste do Estado, por conta das aquisições de áreas e mais áreas para extensos laranjais, como para esticadas ao país hermano, onde também estariam sendo implantados grandes investimentos nos mesmos padrões e com recursos oriundos das mesmas rubricas orçamentárias.
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