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quarta-feira, março 4, 2026

El Vigilante

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O olhar passa rápido pela cena urbana. Na Autoban, em velocidade máxima, os carros se multiplicam num vai e vem interminável.

O horizonte cortado por montanhas. Antes, havia ali uma mata cerrada. Hoje, casebres coloridos disfarçam a sengracês da nuvem marrom de poluição, que insiste em ganhar espaço no justo encontro onde deveriam estar apenas o ar puro e a natureza humana.

É, senão, um alívio para os olhos, ainda que seja exigente respirar à secura do clima.

De repente, a escultura surge. El vigilante, descubro. Está ali, em posição de alçar voo a qualquer momento.

Em alerta. Atento. Pronto para intervir. Quem sabe, no momento preciso, ele se lance em voo.

Abrindo suas asas sobre a cidade. Enfeitando a vida de quem o observa, planando ao sabor do vento como uma ilusão sobre nossas cabeças.

A escultura El Vigilante está nos limites de Ecatepec de Morelos e Tlalnepantla de Baz, no Estado do México

É uma obra de bronze, instalada ao longo da rodovia federal mexicana 85D (México–Pachuca).

Jorge Marín, autor da obra, disse que ela retrata um jovem com tatuagens e piercings, que usa uma máscara de pássaro para representar Ehecatl , uma divindade associada ao vento.

Pois, que ele permaneça atento e firme. Para espantar o medo e semear, com a rapidez de um sopro, a alegria de ser. Ainda que por um breve instante. Na medida do nosso olhar ligeiro.

Inorbel Maranhão Viégas/Cidade do México
04/03/26

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