33.8 C
Dourados
sexta-feira, março 13, 2026

Sob pressão do Centrão, ministros do STF discutem saída alternativa para prisão de Vorcaro

Centrão tem pressionado por prisão domiciliar de dono do banco para afastar risco de delação premiada

- Publicidade -

O julgamento virtual da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que vai decidir sobre a prisão de Daniel Vorcaro tem sido marcado por muita pressão nos bastidores, especialmente de políticos do Centrão, e de interlocutores do dono do Banco Master no meio jurídico em busca de uma solução alternativa, como a transferência para a prisão domiciliar.

O destino de Vorcaro é acompanhado com apreensão no STF e no Congresso Nacional, onde parlamentares de diferentes matizes estão apavorados com os riscos de uma delação premiada. As mensagens extraídas do celular do banqueiro que já vieram à tona colocaram em evidência suas conexões políticas com membros dos Três Poderes.

O entorno do executivo torcia pela sua soltura, mas já aceita que não há clima político no Supremo para colocá-lo em liberdade.

A votação na plataforma digital da Corte se dará apenas entre quatro ministros, já que Dias Toffoli se declarou suspeito para julgar o caso.

Tanto no Supremo quanto fora dele se calcula que Luiz Fux deve acompanhar, enquanto Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes estariam inclinados a defender uma solução alternativa – a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares, como a prisão domiciliar.

Em caso de empate em processos criminais, prevalece a decisão final mais favorável ao investigado.

A votação começa nesta sexta-feira, às 11h, com previsão de durar uma semana.

O plenário virtual permite o julgamento de casos sem reunião presencial, o que afasta o risco de embates entre os ministros.

Se por um lado esse esquema pode ajudar a conter um desgaste ainda maior para a imagem do STF, por outro pode criar um ambiente favorável para a defesa de Vorcaro derrubar a prisão preventiva longe das transmissões ao vivo da TV Justiça.

Divisões internas

O julgamento no plenário virtual deve expor as divisões internas da Segunda Turma do Supremo em se tratando de matérias criminais.

No mapeamento de votos feitos por integrantes e auxiliares do STF, a expectativa é a de que Fux acompanhe o entendimento de Mendonça, que determinou no último dia 4 a prisão de Vorcaro e de outros três comparsas: o empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro; o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva; e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como o “Sicário”, que morreu após uma tentativa de suicídio na superintendência da PF em Minas Gerais.

Já Nunes Marques e Gilmar, bem mais ligados ao Congresso e ao Centrão, estariam inclinados a acolher pedidos da defesa de investigados e réus.

Atalho para Kassio

Kassio Nunes Marques, aliás, era a torcida da defesa de Vorcaro para assumir a relatoria de uma ação protocolada em novembro do ano passado para derrubar a prisão que havia sido determinada pela Justiça Federal de Brasília.

Os advogados do banqueiro pediram que o processo fosse encaminhado por prevenção ao ministro , relator da Operação Overclean no STF, que apura um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvios de recursos públicos na execução de emendas parlamentares.

A defesa alegou ao Supremo que a Justiça Federal não era o foro competente para cuidar das investigações do Master por conta de um contrato imobiliário apreendido pelos investigadores que menciona uma empresa do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA).

O argumento utilizado para tentar mandar o caso Master para Nunes Marques foi que, “de acordo com notícias jornalísticas”, Bacelar também seria investigado pela Overclean. A defesa menciona uma reportagem publicada pelo site Bahia Notícias, intitulada “Com prefeito afastado pela Overclean, Boquira recebeu mais de R$ 8 mi em emendas parlamentares”.

A reportagem, publicada em junho de 2025, faz uma única menção a Bacelar para informar que ele está entre os parlamentares que destinaram recursos ao município – R$ 575 mil via emendas Pix.

“O reclamante [Vorcaro] não conhece detalhes das investigações da Operação Overclean, cujos autos estão em sigilo, mas aparentemente existem instrumentos jurídicos referentes a operações comerciais similares (operações imobiliárias), com registros encontrados de forma semelhante em cumprimento de medidas de busca e apreensão, e investigados comuns, o que sugere uma possível correlação dos feitos”, alega a defesa.

Sorteio

Em uma análise preliminar, a presidência do Supremo, porém, considerou que o caso Master não tinha ligação com a Overclean e determinou o sorteio eletrônico entre os integrantes da Corte, o que fez o caso parar nas mãos de Toffoli.

O ministro acabou deixando a relatoria do caso no mês passado, em meio a uma crise institucional sem precedentes na história recente do STF.

Toffoli se afastou das investigações após o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregar pessoalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, um documento de 200 páginas listando indícios de conexões entre Vorcaro e Toffoli que poderiam levar à sua suspeição – como por exemplo o pagamento de R$ 35 milhões do banco de Vorcaro por uma fatia do resort Tayaya, do qual o ministro admitiu ser sócio.

Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura/O Globo — Rio e Brasília

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Últimas Notícias

Últimas Notícias

- Publicidade-