Valfrido Silva
Antes restritas aos programas eleitorais de TV e às velhas caravanas de corpo-a-corpo, as campanhas dos governadores brasileiros que buscarão a reeleição em 2026 migraram definitivamente para o universo das redes sociais, onde hoje se disputa muito mais do que curtidas e compartilhamentos. Disputa-se atenção, percepção de liderança e, sobretudo, a construção emocional de uma imagem pública capaz de sobreviver ao bombardeio diário de memes, polarizações e guerras algorítmicas. Levantamento publicado pelo portal G1 mostra que governadores de diferentes regiões do País já transformaram Instagram, TikTok e vídeos curtos em peças centrais de suas estratégias eleitorais, misturando agendas administrativas, humor, bastidores familiares e posicionamentos políticos cuidadosamente calibrados para dialogar com públicos distintos.
E é justamente nesse cenário que o governador Eduardo Riedel parece surgir como um caso peculiar dentro da política brasileira contemporânea. Enquanto parte dos governadores aposta em performances mais agressivas, vídeos virais e uma comunicação quase permanente de enfrentamento ideológico, o governador sul-mato-grossense mantém uma postura mais sóbria, técnica e institucional, algo que, paradoxalmente, pode acabar funcionando como diferencial justamente num ambiente saturado de histeria digital.

Não significa, claro, ausência de estratégia. Muito pelo contrário. A presença digital de Riedel vem sendo construída de forma gradual e disciplinada, sempre associada à ideia de gestor equilibrado, homem de resultados e administrador focado em planejamento, infraestrutura e crescimento econômico. É um estilo que conversa diretamente com o perfil político herdado do grupo liderado pelo ex-governador Reinaldo Azambuja, mas adaptado aos tempos das redes sociais, onde até a moderação precisa ser cuidadosamente embalada para não parecer apatia.
E talvez esteja justamente aí uma das principais virtudes eleitorais de Eduardo Riedel neste momento da pré-campanha: parecer menos ansioso que seus adversários. Enquanto parte da classe política sul-mato-grossense vive em campanha permanente, produzindo vídeos diários, cortes inflamados e disputas de lacração ideológica, Riedel preserva certa imagem de normalidade administrativa. Isso acaba produzindo um efeito curioso: em meio à gritaria geral da política nacional, o governador vende estabilidade.
Os números recentes ajudam a explicar por que essa estratégia parece funcionar. Pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontam Eduardo Riedel liderando os cenários para a disputa pelo governo estadual em 2026, aparecendo à frente tanto no primeiro quanto em cenários simulados de segundo turno. O governador também mantém índices elevados de aprovação administrativa, sustentados principalmente pelo desempenho econômico do Estado, expansão logística e crescimento do agronegócio.
Mas a disputa digital tende a se tornar cada vez mais agressiva à medida que a eleição se aproxima. Até porque Mato Grosso do Sul reúne hoje ingredientes explosivos para o ambiente das redes sociais, com um bolsonarismo fortemente organizado, a presença consolidada do lulismo, uma disputa cada vez mais intensa pelo Senado, guerras internas entre grupos da direita e uma sucessão estadual que, embora ainda aparentemente controlada, pode rapidamente ganhar contornos imprevisíveis.
Nesse ambiente, Riedel tenta ocupar um espaço político raro na política brasileira atual: o do gestor que fala menos para as bolhas ideológicas e mais para o eleitor cansado da guerra permanente. É uma posição confortável enquanto a economia responde positivamente e a máquina administrativa mantém estabilidade. O desafio será sustentar essa moderação quando a campanha entrar definitivamente no terreno emocional das redes sociais, onde muitas vezes vence não o mais equilibrado, mas o mais barulhento.
Ainda assim, talvez resida justamente aí o diferencial do governador sul-mato-grossense. Num país onde quase todos parecem disputar quem grita mais alto, Eduardo Riedel aposta que ainda exista espaço eleitoral para quem administra antes de performar.
