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terça-feira, junho 2, 2026

Após ação policial em SP, Flávio fala em perseguição estatal a ‘Dark Horse’ para influenciar eleições

Filho de Bolsonaro sai em defesa da gestão Nunes e põe em dúvida atuação de 'parte' da polícia, sob governo Tarcísio. Sede da produtora de filme foi alvo de operação por suspeitas em contrato de R$ 108 mi com Prefeitura de São Paulo

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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscou sugerir nesta segunda-feira (1º) a narrativa de que operação da polícia paulista contra a produtora do filme “Dark Horse” e a Prefeitura de São Paulo pode ser parte de uma “perseguição estatal” com objetivo eleitoral. O presidenciável disse confiar na gestão Ricardo Nunes (MDB) e colocou em dúvida a atuação de “parte” da Polícia Civil, vinculada ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Só espero que não seja uma perseguição estatal por parte de alguns setores para influenciar as eleições”, disse Flávio, em referência à ação policial contra a Go UP Entertainment, produtora do “Dark Horse” (que trata da vida de Jair Bolsonaro) e cuja dona controla um instituto que firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para a implantação de wi-fi em comunidades carentes.

O pré-candidato do PL ainda declarou mais cedo: “Não quero crer que uma parte da polícia esteja sendo usada para fins eleitoreiros. E usar uma operação como essa não para ver se teve algum problema nesse contrato de wi-fi, mas para tentar, por uma via transversa, uma chamada ‘pescaria probatória’, tentar encontrar alguma coisa que vá contra o filme do presidente Bolsonaro”.

A Polícia Civil de SP realizou operação em endereços ligados à produtora e na sede da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, como parte de um inquérito que apura se houve irregularidades e desvios de um contrato municipal e se os recursos foram para a equipe do filme “Dark Horse”.

Autorizada pela Vara de Garantias do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), a operação decorre de investigação policial sobre um contrato de R$ 108 milhões entre o ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Ferreira da Gama, e a gestão Ricardo Nunes (MDB) para o fornecimento de wi-fi.

Em evento do agronegócio em Belo Horizonte promovido pela rádio Itatiaia, Flávio saiu em defesa da gestão Nunes. “Não há absolutamente nada de errado, confio no trabalho da Prefeitura de São Paulo, foi tudo explicado, algo bem anterior ao filme [“Dark Horse”], afirmou. Nunes também sugeriu mais cedo que a ação poderia ter sido motivada por perseguição política.

Os também presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) não comentaram sobre a operação contra a produtora do filme de Bolsonaro. O goiano afirmou à tarde que o assunto não faz parte de sua pauta, enquanto o mineiro disse à noite que não soube da notícia.

Flávio ainda disse que a repercussão sobre o filme e do dinheiro repassado pelo banqueiro Daniel Vorcaro à produção estão sendo usados como “cortina de fumaça” para problemas do país, como o prejuízo bilionário registrado pelos Correios.

Ele também comemorou a designação de PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos Estados Unidos e questionou o presidente Lula (PT) por ter vídeos com a influenciadora Deolane Bezerra, presa sob suspeita de integrar uma organização de lavagem de dinheiro para o PCC.

Flávio Bolsonaro pediu recursos para financiamento do “Dark Horse” a Daniel Vorcaro, do Banco Master. O portal Intercept Brasil revelou que Vorcaro repassou R$ 61 milhões para o longa-metragem. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro foi usado para financiar gastos do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

Investigação e suspeitas

A Polícia Civil abriu a apuração a partir de requerimento do Ministério Público, originalmente para apurar indícios de irregularidade no contrato de wi-fi do instituto. A investigação trata dos crimes de frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas ou rendas públicas, todos previstos no Código Penal.

Além de investigar se a entidade de Karina foi contratada irregularmente pela gestão Nunes, por um valor acima do praticado pelo mercado, a polícia apura a suspeita de pagamentos sem que os serviços fossem prestados.

Segundo a polícia, os elementos de inteligência financeira colhidos indicam uma potencial ocorrência de financiamento cruzado ilícito, com envio de recursos do instituto para a produtora, uma vez que há “consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme”.

No contrato com a gestão Nunes, cada ponto de wi-fi viabilizado pelo instituto custou R$ 1.800. A Polícia Civil afirma que a Prodam, empresa pública municipal de tecnologia, presta serviços idênticos pelo custo de R$ 230 para implantação por ponto e R$ 306 para manutenção mensal.

A expansão dos negócios de Karina ocorreu após ela conhecer o deputado federal Mario Frias (PL-SP), secretário da Cultura no governo Bolsonaro e que também assina a produção do filme “Dark Horse”.

Por meio de nota, a Polícia Civil afirmou que “o Instituto Conhecer Brasil é o principal alvo da apuração” e que as buscas foram por documentos e equipamentos eletrônicos “que possam contribuir para o avanço das investigações”.

Artur Búrigo/Folha de S.Paulo

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