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sábado, setembro 12, 2026

Sustentabilidade e o ponto de não retorno

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Laerte Tetila (*)

Como é possível pretender um planeta ambientalmente saudável, com um processo de degradação tão incisivo e visível por toda parte? E não é de hoje que a humanidade vem tomando conhecimento de que os recursos naturais – sustentáculos da própria vida, precisam ser levados a sério, que se faz urgente a transição do atual modelo de desenvolvimento a qualquer custo, o desenvolvimentismo, focado apenas no fatídico crescimento econômico, por um outro, o do crescimento sustentável.

En passant, diríamos: há mais de quatro décadas, como mestrando em Climatologia (Universidade de São Paulo), já éramos informados sobre o agravamento ambiental planetário, mediante resultados de pesquisas divulgados, conjuntamente, por nada menos do que 400 renomados cientistas e por universidades intercontinentais.

Importante, também, são os resultados de dezenas de Reuniões Temáticas da ONU e de suas Conferências Ambientais Mundiais, iniciadas nos idos de 1972 (Estocolmo), chegando a 2025 com a COP-30, de Belém do Pará. Eventos que emitem sinais e mais sinais de que o planeta já se encontra no limiar de seu ponto de não retorno, ou seja, do adeus às chances de restauração.

E não foi por menos que a sustentabilidade veio a se tornar a palavra do século e o desenvolvimento sustentável o conceito-base para a construção de um novo modelo de desenvolvimento, pelo qual sejam contempladas as necessidades atuais, sem agravar os elos da natureza, da vida e a própria existência humana.

Quanto ao meio rural, já não há como negar as boas práticas que passaram a ser incorporadas, por parte de alguns, tais como a aplicação de curvas de nível, terraceamentos, plantios na palha,  integração lavoura-pecuária, biotecnologia, agroecologia (com destaque ao MST – maior produtor de arroz orgânico da América Latina), dentre outras, cujos resultados vêm se refletindo no aumento da produção, segundo convém à vida e ao bem estar das possíveis futuras gerações.

No limite, porém, os processos de degradação ainda  saltam aos olhos, haja vista o excessivo uso dos combustíveis fósseis, agravado com  as queimadas (Corumbá, em pleno Pantanal, ocupando o primeiro lugar no país), os incêndios florestais, os desmatamentos legais e ilegais (inclusive, de matas ciliares), a erosão dos solos, a degradação das pastagens, o uso intensivo de agrotóxicos, a poluição e o assoreamento dos rios, a obstrução de nascentes, as hiper- monoculturas e a crescente  perda da biodiversidade.

Serve de consola, porém, saber que “as maiores proezas da história foram conquistas do que parecia impossível” (Charles Chaplin). Com efeito, em meio a tantas tempestades, que surjam os arco-íris, sempre!     

(*) É geógrafo, foi professor e chefe de Departamento/UFMS, vereador, deputado estadual e prefeito de Dourados-MS. Mestre pela USP, autor de cinco livros, dentre eles, “Meio Ambiente – Mato Grosso do Sul em Foco”.                                           

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