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quinta-feira, maio 14, 2026

“Eminências pardas” impedem veiculação de outdoors

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05/06/2021 – 11h13

Farra da publicidade foi denunciada pela vereadora Lia Nogueira, na tribuna da Câmara

Mais uma campanha publicitária com outdoors do Comitê de Defesa Popular foi censurada em Dourados. Pressionado por eminências pardas da cidade e de Campo Grande, empresário suspendeu, na última hora, a veiculação de 10 painéis contratados cuja mensagem tratava, entre outros temas, da “farra da publicidade”.

A rigor, há muito tempo que outdoors de movimentos sociais com protestos contra governos são impedidos de circular não só em Dourados, mas em todo o País. Para isso, censores utilizam o poder econômico (privado e público) para fazerem ameaças veladas (perseguição política e derrubada dos painéis) aos empresários do setor que acabam capitulando.

A campanha que circularia em 10 pontos estratégicos de Dourados, na primeira quinzena de junho, tratava de cinco temas: farra da publicidade, fila por leitos de UTI, UPA sem médicos, vacinação atrasada e população com fome, e pedia explicação ao prefeito Alan Guedes (PP) e investigação do Ministério Público Estadual. Não havia absolutamente nada de ilegal, apenas o exercício da liberdade de expressão.

A mando sabe-se lá de quem, as tais eminências pardas não estavam preocupadas com as pautas sobre saúde e fome. O jornal Folha de Dourados apurou que agiram em surdina, numa tentativa débil de impedir a propagação junto ao povo de Dourados da farra da publicidade denunciada pela vereadora Lia Nogueira (PP) na tribuna da Câmara Municipal.

Talvez envolvidos no suposto esquema que teria desviado quase R$ 1 milhão da Câmara quando o atual prefeito a presidia, as eminências pardas, que migraram do campo para a publicidade, se esquecem que em tempos de internet e redes sociais, censura é algo distante. Essas novas ferramentas democratizaram a comunicação.

Segundo o coordenador do Comitê, Franklin Schmalz da Rosa, nos últimos dois anos, sob a égide do governo Bolsonaro, duas campanhas foram censuradas, uma em 2020 e outra em 2021.

“Entre as alegações são de que as empresas não veiculam campanhas de teor político, muito menos contra o governo Bolsonaro e que muitas placas podem ser derrubadas pelos proprietários dos terrenos”, diz Franklin Schmalz.

Ocorre que a recíproca não é verdadeira. “Com recorrência vemos campanhas a favor do governo expostas pela cidade, inclusive apócrifas ou assinadas por supostas entidades, sempre favoráveis a Bolsonaro ou contra o ex-presidente Lula”, afirma ele.

De acordo com o coordenador, em 2020, durante os meses de abril e junho, o Comitê tentou veicular campanha criticando medidas do governo federal, já direcionadas a temas principais como saúde.

Em 2021, entre fevereiro e março, as empresas recusaram a veicular campanha com a mensagem: “A vacina salva vidas, Bolsonaro não.” Franklin afirma que a mesma campanha foi às ruas em diversas cidades do estado como Campo Grande, Três Lagoas e Corumbá, no entanto, em Dourados as empresas não aceitaram”.(José Henrique Marques/Folha de Dourados)

Mockup do outdoor censurado (é o que os designers comumente utilizam para apresentar uma ideia, que se fosse explicada em palavras, por exemplo, não apresentaria, com clareza, o produto ou resultado final)

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