Além das notícias do Brasil e do mundo, aqui compartilhadas, tudo sobre os bastidores da política em Dourados e no Mato Grosso do Sul, com textos inéditos em artigos, entrevistas e comentários de Valfrido Silva e colaboradores.
Sem nenhum candidato favorito, ao menos por enquanto, a disputa eleitoral de 2016, a partir do retorno do prefeito Alcides Bernal (PP) à Prefeitura, deve mudar radicalmente o cenário político em Campo Grande, cuja campanha também deve ser marcada sem a participação de nomes tradicionais como protagonistas em um confronto atípico no maior reduto eleitoral de Mato Grosso do Sul.
À mesa de um restaurante decorado com lustres de cristal, obras de arte contemporânea e castiçais dourados, na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro, três diretores da Petrobras e dois executivos do grupo Odebrecht almoçavam reservadamente às vésperas das eleições de 2006. Era um encontro de homens de negócios. Do lado da petroleira, estavam lá os diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque; do lado da maior construtora do país, Márcio Faria e Rogério Araújo. Os cinco não falavam apenas de negócios. Falavam também de política. Nos tempos de petrolão, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, falar de negócios na Petrobras exigia falar de política: contratos com a estatal, conforme demonstram as provas da Lava Jato, eram frequentemente fechados somente mediante pagamento de propina a políticos do PT, do PMDB e do PP, a depender da diretoria. Hoje, a maioria dos cinco comensais está presa em Curitiba, acusada de participação destacada no petrolão.
A Câmara dos Deputados deve começar a tratar formalmente do processo de impeachment de Dilma Rousseff nesta semana, quando deputados de oposição apresentarão requerimentos ao presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para que ele se posicione sobre os 13 pedidos de deposição. Cunha já avisou que pretende negar, se não todas, boa parte das ações exigindo o impeachment. Com os demais, ele continuaria protelando.
O ex-vereador de Campo Grande, Cristóvão Silveira, foi o último a prestar depoimento ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) nesta semana. Foram mais de duas horas e na saída ele foi evasivo nas respostas às perguntas feitas pelos jornalistas. Como a maioria dos que já foram ouvidos pelo Gaeco, o ex-vereador também disse que foi convidado a colaborar como testemunha.
A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja ouvido no inquérito que investiga envolvimento de políticos no esquema de corrupção na Petrobrás. O pedido foi feito pelo delegado Josélio Sousa. Ele suspeita que Lula pode ter sido ‘beneficiado pelo esquema em curso na Petrobrás, obtendo vantagens para si, para seu partido, o PT, ou mesmo para seu governo’.
Após passar três horas no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o ex-governador André Puccinelli (PMDB) não forneceu detalhes do depoimento, reiterou não ter ligação com a cassação de Alcides Bernal em março de 2014 e dispôs dados do sigilo fiscal desde 1997.
Um amigo publicitário costumava usar uma frase para descrever momentos como o atual: “se piorar, piora”. Quando se acha que tudo está perdido, dizia ele, é bom lembrar que “sempre há um gap”, um espaço para que a situação descambe mais um pouco. É grande a vontade de ignorar o noticiário político e econômico, tamanha a quantidade de exemplos cotidianos que comprovam a sabedoria de meu amigo em sua frase. A sensação é que, todo dia, o Brasil piora mais um pouco.
A presidente Dilma Rousseff estuda substituir o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) por um nome que atue como uma espécie de "primeiro-ministro" e que não seja filiado a seu partido, o PT.
Segundo assessores, Dilma percebeu que precisa fazer um "movimento de impacto", com ressonância política, para tentar sair da grave crise que paralisa o governo.
Ela avalia substituir seu braço direito até mesmo por alguém de fora da política, mas que tenha receptividade na base aliada e na oposição, na tentativa de melhorar a governabilidade e diminuir o número de derrotas que vem sofrendo no Congresso.
Não é a primeira vez, contudo, que a possibilidade de saída de Mercadante como parte da solução para a crise é especulada. O ex-presidente Lula defendia junto a Dilma a troca de Mercadante por Jaques Wagner (Defesa).
O PMDB, partido do vice-presidente, Michel Temer, também já pediu a saída de Mercadante, justificando não ter bom entendimento com o ministro, que participa da articulação política e é considerado voluntarista e centralizador.
Segundo relatos de interlocutores, a própria presidente avalia que ele falhou nas principais negociações estratégicas no início de seu segundo mandato.
Uma das principais reclamações de aliados de Temer é que as discussões para distribuição de cargos paravam quando chegavam na Casa Civil. Recentemente, a indicação de uma das vice-presidências para a Caixa Econômica Federal gerou atrito entre o vice e Mercadante.
Ministros ouvidos pela Folha afirmam que Mercadante não sairá do governo.
Disseram que deve ele ser transferido para outra pasta na reforma da Esplanada que a presidente promete como uma das saídas para o deficit fiscal de R$ 30,5 bilhões apresentado na semana passada, por sua equipe econômica, na proposta orçamentária para o ano que vem.
Em agosto, o Planalto anunciou a redução de dez ministérios e o fim de parte dos cargos comissionados, mas até agora nada ocorreu.
Um dos principais defensores da ideia foi o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Além disso, ponderam os auxiliares de Dilma, a presidente já mudou de ideia outras vezes sobre a situação de Mercadante e nada impede que isso aconteça novamente, ainda mais em um momento de instabilidade.
SEGURANÇA
A ideia é que o novo ministro da Casa Civil consiga "passar segurança ao meio político" e montar uma estrutura burocrática que ajude o governo a melhorar a gestão e a relação com os aliados.
No Congresso, as movimentações pelo impeachment da presidente ganharam força com o recrudescimento da crise econômica a partir da perda do selo de bom pagador pelo Brasil na quarta-feira (9).
Dilma enfrenta processos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que pedem a cassação de seu mandato, e a análise de suas contas pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que também servem de munição para quem defende o impedimento.
Os principais partidos de oposição e vários deputados dissidentes da base governista lançaram na manhã desta quinta-feira (10) o movimento parlamentar pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Com pesadas críticas ao governo e ao PT, e portando réplicas do "Pixuleco" –o boneco do ex-presidente Lula vestido de presidiário–, os congressistas afirmaram que o ato marca o início do processo de afastamento de Dilma e do PT do governo.
A perda do selo de bom pagador pelo Brasil "não significa nada", na opinião do ex-presidente Lula. Em visita à Argentina, ele afirmou que o governo não deve aceitar a "receita" que vêm desses organismos.
"É importante que a gente tenha em conta que o fato de ter diminuído o grau de investimento não significa nada. Significa que apenas a gente não pode fazer o que eles querem. A gente tem que fazer o que a gente quer", afirmou Lula.
Um grupo de deputados estaduais, liderado por Mara Caseiro (PTdoB) e Zé Teixeira (DEM), tenta instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar se há responsabilidades do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) nas ações indígenas em conflito com ruralistas em Mato Grosso do Sul. Enquanto isso, na mesma Assembleia Legislativa, é protocolar, quase indiferente, o tratamento atribuído ao escândalo da Operação “Lama Asfáltica”, que causou milhões de prejuízos aos cofres públicos.
09/09/2015 - 16h09A Operação Cofee Break, desencadeada pelo Gaeco, investiga a participação de vários políticos no esquema de corrupçãoAcusado de orquestrar a manobra política...
A população perdeu a fé nos governos pelo excesso de promessas e mentiras. A Câmara Municipal vem passando momentos difíceis, desacreditada após os recentes episódios que culminaram com a cassação, mal explicada, do governo do prefeito eleito Alcides Bernal (PP). Envolveu-se de forma nefasta na propalada “blindagem” arrogada pelo ex-prefeito e atual réu Gilmar Olarte (PP por liminar).
Um inquérito da Lava Jato revelou um esquema de quitação de dívidas pessoais e de campanha do deputado Vander Loubet, nome forte do PT-MS. Três pessoas e duas empresas disseram que débitos abertos por ele e por sua mulher, de ao menos R$ 144 mil, foram cobertos pela Arbor, que fazia a contabilidade do doleiro Alberto Youssef. A Arbor era gerida pela contadora Meire Poza. À CPI da Petrobras, ela disse que emitiu cerca de R$ 7 milhões em notas frias para cobrir despesas ordenadas por Youssef.
08/09/2015 - 08h13O senador Waldemir Moka (PMDB), participou do desfile cívico de 7 de setembro, e aproveitou a oportunidade para comentar o cenário atual...
O Pixuleko, boneco inflável que representa o ex-presidente Lula (PT) em trajes de presidiário, vai-se provando um sucesso. Apareceu pela primeira vez em Brasília no dia 16 de agosto, durante protesto contra o governo Dilma Rousseff (PT); circulou em seguida por capitais como São Paulo e Curitiba e agora começa a se multiplicar.
07/09/2015 - 15h03O tradicional desfile de 7 de Setembro foi marcado por protestos do “Grito dos Excluídos”, habitualmente realizados no fim do desfile, e...
Às vésperas das eleições do ano passado, já com a Lava Jato fazendo a República tremer, o empreiteiro Ricardo Pessôa, dono da UTC, encontrou-se com o presidente da Eletronuclear, almirante Othon Pinheiro. O almirante era o responsável pela retomada da construção da usina nuclear de Angra 3, parada desde a década de 1980. Naquele momento, após anos de negociações, os contratos, que somavam R$ 3,1 bilhões, estavam prestes a ser assinados com o consórcio de empreiteiras liderado por Pessôa. O almirante Othon, que fora indicado ao cargo pelos senadores do PMDB, foi direto: “Vocês estão muito bem qualificados, vão ganhar, então vocês vão precisar contribuir para o PMDB”. Estava verbalizada, mais uma vez na longa história da corrupção política do Brasil, a chamada regra do jogo – o uso criminoso da máquina pública para enriquecer políticos e empresários, mantendo ambas as partes no comando do Estado.
04/09/2015 - 17h40Governador pelo PSDB, principal partido de Oposição ao governo de Dilma Roussef (PT) e produtor rural dos mais influentes no Estado, Reinaldo...
A Polícia Federal indiciou os deputados Vander Loubet (PT-MS), Nelson Meurer (PP-PR) e o ex-deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), investigados na Operação Lava-Jato, por recebimento de propina vinda de contratos da Petrobras. O inquérito aponta indícios de corrupção passiva dos três políticos.Segundo o documento, Cândido Vaccarezza teria recebido em seu apartamento, em São Paulo, valores do doleiro Alberto Youssef, personagem central da Lava Jato, a mando do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, para a campanha de 2010.