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terça-feira, junho 23, 2026

Neo-tucanos patinam tentando consolidar projeto sucessório

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17/06/2016 – 09h53

Em Corumbá, Dourados e Maracaju mudança de partido não foi suficiente para garantir estabilidade política às pré-candidaturas

Com a vitória de Reinaldo Azambuja na sucessão estadual em 2014, o PSDB tornou-se objeto de desejo de um grande número de lideranças que sonham assumir as prefeituras a partir do próximo ano. Fazer parte da legenda que derrotou o PMDB e o PT, até então as duas maiores forças político-eleitorais de Mato Grosso do Sul, significa estar pisando em solo consistente para pavimentar o projeto de poder municipal.

Foi essa a grande expectativa que motivou desde o ano passado uma das maiores revoadas partidárias na história do Estado, tendo o PSDB como principal beneficiário. As adesões se multiplicaram maciçamente em todas as regiões e o partido registrou um crescimento orgânico espetacular, reforçando a confiança de seus dirigentes na possibilidade de conquistar mais prefeituras que seus adversários. O problema, entretanto, é que nem todo mundo consegue andar equilibrado sobre um pavimento seguro e pode escorregar em circunstâncias pessoais ou conjunturas locais.

É o que pode estar ocorrendo em três dos maiores colégios eleitorais sulmatogrossenses: Dourados (o segundo, com 152,2 mil eleitores), Corumbá (o quarto, com 70,6 mil) e Maracaju (o 11º, com 27.434). Esses três municípios somam quase 260 mil votantes, um contingente que pode decidir eleições para manatos estaduais e federais. E foi por merecerem – no ângulo eleitoral – uma atenção redobrada, que o governador buscou atrair lideranças locais para fortalecer o ninho tucano e plasmar a certeza de sucesso nas eleições municipais.

TROPEÇOS

Em Dourados, a direção estadual do PSDB e o governador fizeram a sua parte ao oferecer a legenda para o deputado federal Geraldo Resende, que já havia posto sua pré-candidatura nas ruas, porém se dizia desconfortável no PMDB. Era uma alegação estranha, porque Resende não só presidia a executiva peemedebista, mas tinha total controle sobre os convencionais e até sua candidatura já havia lançado com o apoio de folgada maioria dos membros do diretório. Um dos filiados, Antonio Nogueira, propôs uma prévia para disputar com Resende a indicação do partido, no entanto sem chance alguma de vencer.

Por isso, o deputado federal causou perplexidade ao ingressar no PSDB, após ter realizado uma convenção no PMDB para carimbar seu projeto sucessório e negar com insistência que não deixaria o partido. Sem avisar aos correligionários, viajou para Campo Grande e confirmou à cúpula do PSDB e ao governador que estava pronto para trocar de filiação partidária. Em troca, ganhou dos ex-companheiros a pecha de traidor e aos poucos viu que sua pré-candidatura não voava como antes, em céu de brigadeiro.

Uma das pesquisas mais recentes – do Ipems, em maio, com registro na Justiça Eleitoral – apontou a vereadora Délia Razuk (PR) na liderança em todas as simulações, tanto num quadro de pulverização como em disputa polarizada. Mais preocupante para o ex-peemeebista foi a amostragem com os números da rejeição: ele recebeu o maior número de citações à pergunta sobre em quem os eleitores não votariam e jeito nenhum. Em segundo na pesquisa e liderando as rejeições, Resende não dá hoje ao PSDB a perspectiva segura de vitória no segundo maior reduto eleitoral do Estado.

BURACOS

Dono de grande popularidade em Corumbá, Ruiter Cunha atracou no PSDB vestindo o emblema do ex-prefeito que chegava para para conquistar em outubro seu terceiro mandato de prefeito. O governador Reinaldo Azambuja não economizou elogios à aquisição e está à espera de resultados que o instruam se vale a pena concentrar desde já todas as suas fichas no ex-petista.

Há quem, no seu pelotão de aliados do governador, entenda ser melhor evitar precipitações, queimar etapas e não arriscar-se tão cedo, sob o risco de ver sua preferência ser contaminada por eventual esvaziamento político de um pré-candidato que foi denunciado pelo Ministério Publico e responde a uma investigação por improbidade administrativa.

Ruiter é responsabilizado pelo MP por envolvimento num esquema de empréstimos consignados de servidores publicos na época em que era prefeito. A “Operação Decoada”, com a Polícia Federal acionada pelo MP, desmanchou o esquema e denunciou mais de 20 pessoas, entre as quais Ruiter e diversos servidores. Além dessa pendência, a direção do PSDB incomoda-se com um recente mal-estar envolvendo o empresário Alfredo Zamlutti Jr, presidente da Federação das Associações Empresariais (Faems).

Irritado com a chegada de Ruiter no PSDB, Zamlutti Jr, que presidia a executiva tucana corumbaense, entregou o cargo alegando não ser possível acumular as funções e optando pelo mandato na Federação. Entretanto, está apoiando o prefeito Paulo Duarte, pré-candidato do PDT à reeleição. Assim, só a conversão ao tucanato não dá ao ex-prefeito a chave definitiva da viabilidade de sua candidatura. Detalhe: Zamlutti Jr apoia Duarte, mas não desfiliou-se do PSDB e garante ser parceiro e aliado de Reinaldo Azambuja – o que, sintomaticamente, sinaliza o cuidado que o governador vem tendo para não errar politicamente em Corumbá.

G-20 É MAIS

Em Maracaju, o ex-prefeito Celso Vargas ganhou num dia e perdeu no outro ao migrar para o PSDB. Ainda sob uma pendência judicial que não o impede sua pré-candidatura, ele se viu estimulado por conjunturas favoráveis e o ninho tucano seria a opção ideal para assentar de vez o projeto de retornar ao Executivo maracajuense. Mas não tem sido assim. E a opção que parecia ideal agora é uma incógnita.

Dentro do PSDB Vargas enfrenta uma dura concorrência interna. O partido tem outras rês pré-candidaturas: as da vice-prefeita Eliane Simões, do vereador Thiago Caminha e do empresário Joares Sanches. Os ventos andam soprando com força em favor de Sanches. Ele é indicado pelo G-20, um grupo formado por empresários decididos a marcar posição nas causas sociais, políticas e econômicas da região. Soares nunca se candidatou a cargo eletivo. Depois de ser demitido de uma empresa de tratores abriu outra para fazer a concorrência – e agora tem o aval do G-20 e aposta no apoio preferencial do governador Reinaldo Azambuja. Se tem ou não, só Azambuja pode dizer – mas a situação, por si, já preocupa e instabiliza os demais postulantes, entre os quais o ex-prefeito Celso Vargas.(MS Notícias)

Geraldo, apostando no prestígio do

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