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segunda-feira, maio 11, 2026

Lula é diplomado presidente, chora e fala em “democracia reconquistada”

Diplomação valida os resultados do segundo turno das eleições, após um período de tempo necessário para a possibilidade de contestação

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) receberam os diplomas de presidente e vice-presidente, respectivamente, nesta segunda-feira, 12, em cerimônia no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.

O evento foi conduzido pelo presidente da Corte, Alexandre de Moraes, que foi aplaudido de pé no tribunal. Lula também recebeu muitos aplausos e ouviu cantorias de ‘olê, olê, olê, olá… Lula, Lula’ quando iniciou seu discurso, ocasião na qual se emocionou e foi às lágrimas.

“Esse não é o diploma de Lula presidente, é o diploma de parcela significativa do povo que reconquistou o direito de viver em democracia nesse País. Vocês ganharam esse diploma”, iniciou Lula.

Choro 

Ao mencionar o diploma, Lula se emocionou, chorou e seguiu o discurso com a voz embargada, sendo muito aplaudido pelos presentes. 

“Na primeira vez da diplomação, eu lembrei da ousadia do povo em conceder para alguém, tantas vezes questionado por não ter diploma universitário, o diploma de presidente”, afirmou.

“Peço desculpas pela emoção. Quem passou o que eu passei nesses últimos anos e está aqui agora é a certeza de que Deus existe”, acrescentou. “Eu sei o quanto custou não apenas a mim, mas o quanto custou ao povo brasileiro essa espera para que pudesse reconquistar a democracia nesse País”, completou.

Lula se emociona e chora em discurso de diplomação: “É a certeza que Deus existe”:

“Quero dizer que, muito mais que a cerimônia de diplomação de um presidente, essa é a celebração da verdadeira democracia. Poucas vezes na história recente desse país a democracia esteve tão ameaçada. Poucas vezes na nossa história a vontade popular foi tão colocada à prova e teve que vencer todos os obstáculos para, enfim, ser ouvida”, seguiu Lula. 

“A democracia não nasce por geração espontânea, ela precisa ser semeada, cultivada, cuidada com muito carinho por cada um e a cada dia, para que a colheita seja generosa para todos. Mas além de semeada, cultivada e cuidada com muito carinho, a democracia precisa ser, todos os dias, defendida daqueles que tentam, a qualquer custo, sujeita-la a seus interesses financeiros e ambições de poder”.

Elogios ao TSE e STF

O presidente diplomado acrescentou ainda que não faltou quem defendesse a democracia no Brasil e elogiou o TSE e o Supremo Tribunal Federal (STF). 

“Além da sabedoria do povo brasileiro, que escolheu o amor ao invés de ódio, a verdade ao invés da mentira e a democracia em vez do arbítrio, quero destacar a coragem do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral (aplaudido), que enfrentaram todas ofensas, ameaças e agressões para fazer a soberania do voto popular”.

“Cumprimento a cada ministro do STF e STE pela firmeza na defesa da democracia e na lisura do processo eleitoral nesses tempos tão difíceis. A história há de reconhecer sua coerência e a fidelidade á Constituição”.

Indústria de mentiras e calúnias

Na fala, Lula afirmou ainda que a eleição deste ano não foi entre candidatos de partidos políticos com programas distintos, mas entre duas visões de mundo e de governo.

“De um lado, o projeto de reconstrução do País, com ampla participação popular. Do outro lado, um projeto de destruição do País, ancorado no poder econômico e numa indústria de mentiras e calúnias jamais vistas ao longo da nossa história”.

“Não foram poucas as tentativas de sufocar a voz do povo e a democracia. Os inimigos da democracia lançaram duvidas sobre as urnas eletrônicas, cuja confiabilidade é reconhecida há muito tempo em todo o mundo. Ameaçaram as instituições, criaram obstáculos de ultima hora, para que eleitores fossem impedidos de chegar em seus locais de votação. Tentaram comprar o voto dos eleitores com falsas promessas e dinheiro farto, desviado do orçamento público. Intimidaram os mais vulneráveis com ameaças de suspenção de benefícios e os trabalhadores com risco de demissão caso contrariasse os interesses de seus empregadores”, completou. 

“Quando se esperava um debate político democrático, a nação foi envenenada com mentiras produzidas no submundo das redes sociais. Eles semearam a mentira e o ódio e o País colheu uma violência política que só se viu nas páginas mais tristes da nossa história. E, no entanto, a democracia venceu”

Frente ampla contra o autoritarismo

No discurso, Lula também mencionou a coligação de 12 partidos que apoiaram sua candidatura no primeiro turno, e as demais que se juntaram a ele no segundo turno. O presidente diplomado chamou o grupo de “frente ampla contra o autoritarismo”. 

“Nessa semana, em que o gabinete de transição vem discortinando a realidade atual do País, tomamos conhecimento do deliberado processo de desmonte das políticas públicas e dos instrumentos de desenvolvimento levados à cabo por um governo de destruição nacional (…) Mas as ameaças à democracia que enfrentamos e que ainda iremos enfrentar não são características exclusivas do nosso País. A democracia enfrenta um imenso desafio ao redor do planeta. Talvez maior do que no período da 2ª Guerra Mundial. Na América Latina, na Europa e nos Estados Unidos, os inimigos da democracia se organizam e se movimentam. Usam e abusam dos mecanismos de manipulações e mentiras, disponibilizados por plataformas digitais que atual de maneira gananciosa e irresponsável.

“A máquina de ataques à democracia não tem pátria, nem fronteira. O combate, portanto, precisa ser da trincheira de governança global por meio de tecnologias avançadas e de uma legislação internacional mais dura e mais eficiente”, seguiu.

“Que fique bem claro, jamais renunciaremos a defesa intransigente da liberdade de expressão. Mas defenderemos, até o fim, o livre acesso á informação de qualidade, sem mentiras e sem manipulações, que levam ao ódio e a violência política. Nossa missão é fortalecer a democracia entre nós, no Brasil, e nossas relações multilaterais. A importância do Brasil nesse cenário global é inegável. E foi por essa razão que os olhos dos mundos se voltaram para ver o nosso processo eleitoral”.

Poderes 

Por fim, Lula citou a importância de instituições fortes e representativas, da harmonia entre os Poderes, “com eficiente sistema de pesos e contrapesos que iniba qualquer aventura eleitoral ou autoritária”.

“Precisamos de coragem. É necessário tirar uma lição desse período recente do nosso País e dos abusos cometidos no processo eleitoral, para nunca mais esquecermos, para que nunca mais isso aconteça. Democracia, por definição, é o governo do povo por meio da eleição de seu representante, mas precisamos ir além do dicionário”, pontuou o presidente diplomado, ressaltando que o povo deve participar ativamente das decisões do governo. 

“A democracia só tem sentido e será defendida pelo povo na medida em que promover, de fato, a qualidade de direitos e oportunidades para todos e todas, independentemente da classe social, ou crença religiosa ou orientação sexual. É com o compromisso de construir um verdadeiro estado democrático, garantir a normalidade institucional e lutar contra todas as formas de injustiças que recebo, pela terceira vez, o diploma de presidente eleito do Brasil em nome da liberdade, da dignidade e da felicidade do povo brasileiro. Muito obrigado”, concluiu, sob muitos aplausos.

Diplomação 

A diplomação valida os resultados do segundo turno das eleições, após um período de tempo necessário para a possibilidade de contestação dos resultados. A entrega do diploma é o ato jurídico que atesta que os diplomados são, efetivamente, os candidatos eleitos pela maioria da população nas urnas. O documento é o que habilita um candidato eleito a tomar posse. Por sua vez, a posse de Lula será realizada em 1º de janeiro.

De acordo com calendário divulgado pelo TSE antes das eleições, a diplomação poderia ocorrer até 19 de dezembro. A equipe de Lula vinha trabalhando para evitar que ocorresse no último dia do prazo, com temores de tumultos causados por apoiadores do atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno.

Para a cerimônia, o esquema de segurança foi reforçado e conta com policiamento ampliado, barreiras de proteção, uso de detectores de metal e varredura de grupo antibomba da Polícia Federal.

Redação Terra

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