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quarta-feira, setembro 16, 2026

Catan rompe o isolamento e entra na vitrine eleitoral

Excluído da sabatina de seis veículos, candidato do Novo demonstrou que preenchia o mesmo critério usado para convidar Delcídio; vitória abre o microfone, mas também aumenta a responsabilidade sobre aquilo que dirá

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João Henrique Catan rompeu uma barreira que talvez fosse mais difícil de atravessar do que a porta dos gabinetes oficiais: o isolamento político e midiático no qual começou a campanha ao Governo de Mato Grosso do Sul. Excluído de uma rodada de entrevistas organizada por seis importantes veículos de comunicação, o candidato do Novo recorreu à Justiça Eleitoral, demonstrou que preenchia o critério adotado pelos organizadores e conquistou o direito de participar. A Justiça não lhe deu votos. Deu-lhe algo sem o qual dificilmente poderia buscá-los: audiência.

O “Frente a Frente” foi organizado pelo Campo Grande News, A Crítica, Correio do Estado, JD1 Notícias, SBTMS e TV Guanandi. A lista original incluía Eduardo Riedel, Fábio Trad, Delcídio do Amaral e Lucien Rezende. Catan ficou do lado de fora sob o argumento da representação partidária.

Havia, porém, um pequeno inconveniente aritmético. O Novo possui cinco deputados federais em exercício, exatamente o mesmo número apresentado pelo PRD, partido de Delcídio. Se um preenchia o requisito para sentar-se diante dos entrevistadores, seria difícil explicar por que o outro deveria permanecer na sala de espera.

O desembargador Luiz Tadeu Barbosa da Silva reconheceu a quebra de isonomia e determinou a inclusão de Catan, sob pena de multa diária de R$ 2 mil. A sabatina, realizada nesta terça-feira, passou de quatro para cinco participantes. Catan fecharia a rodada, depois de Riedel, Fábio, Delcídio e Lucien.

A decisão não transforma automaticamente Catan numa ameaça à reeleição de Riedel. A pesquisa Novo Ibrape divulgada nesta segunda-feira deu ao governador 50,2% das intenções de voto e colocou o candidato do Novo em quarto lugar, com 4,5%. Entre a abertura do microfone e a abertura das urnas existe uma distância que nenhuma liminar consegue encurtar sozinha.

Mas a vitória judicial altera uma condição importante da campanha. Até agora, Catan tenta apresentar-se como o candidato antissistema numa disputa em que Riedel carrega a máquina estadual, uma coligação numerosa e o apoio do bolsonarismo oficial; Fábio Trad ocupa o espaço da oposição amparada pelo PT; e Delcídio dispõe de um sobrenome conhecido em todo o Estado. Sem estrutura comparável e comprimido nas redes sociais, Catan corria o risco de denunciar o isolamento apenas para quem já estava isolado com ele.

A sabatina lhe oferece acesso simultâneo às audiências de seis veículos e a oportunidade de falar para além de sua própria bolha. Pode não parecer suficiente para mudar uma eleição, mas é justamente assim que um candidato começa a deixar de ser figurante: conquistando o direito de ser visto, ouvido, questionado e comparado.

A autonomia editorial da imprensa precisa ser preservada. Veículos não são obrigados a oferecer espaço idêntico a todas as candidaturas em qualquer circunstância. Mas, quando estabelecem um critério objetivo e o aplicam a um partido enquanto excluem outro na mesma situação, a seleção deixa de ser apenas editorial e passa a produzir um desequilíbrio eleitoral difícil de justificar.

Catan, entretanto, descobriu no mesmo movimento que romper o isolamento também tem preço. A Justiça Eleitoral concedeu parcialmente direito de resposta à coligação de Riedel por causa de uma publicação feita pelo candidato no Instagram. Dos dois conteúdos questionados, apenas um justificou a medida. A resposta deverá permanecer durante 48 horas no perfil de Catan.

A coincidência é pedagógica. De um lado, a Justiça abriu o microfone que lhe havia sido negado. Do outro, lembrou que microfone não é salvo-conduto para dizer qualquer coisa sem responder pelas consequências. Catan conquistou o direito de participar da conversa e, ao mesmo tempo, recebeu a obrigação de qualificar aquilo que pretende dizer.

Agora dependerá dele. Se usar a exposição apenas para aumentar o volume dos ataques, poderá sair da sabatina tão isolado quanto entrou. Se apresentar propostas, explorar contradições e demonstrar preparo para enfrentar o favorito, terá mostrado que sua ausência não prejudicava apenas uma candidatura, mas também o direito do eleitor de conhecer todas as alternativas relevantes.

A Justiça não colocou Catan no segundo turno, não desmontou a máquina de Riedel e não lhe entregou os votos que ainda não possui. Apenas abriu a porta. Catan terá agora de provar que o isolamento era um obstáculo e não um esconderijo.

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