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domingo, setembro 20, 2026

Pesquisa projeta reeleição de Riedel no primeiro turno, mas mantém o terno de Azambuja no cabide

Ranking transforma os 49% do governador em 57,1% dos votos válidos; no Senado, Reinaldo lidera, enquanto Contar e Vander continuam disputando a segunda cadeira

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Valfrido Silva

Menos de 24 horas depois de Eduardo Riedel rejeitar o salto alto e Reinaldo Azambuja garantir ao contrapontoMS que somente comprará o terno da posse depois de combinar o resultado com o eleitor, uma nova pesquisa colocou os dois diante da tentação de experimentar pelo menos os sapatos e tirar as medidas com o alfaiate. O levantamento do Instituto Ranking Brasil Inteligência mostra o governador com 49% das intenções de voto e o ex-governador liderando os dois cenários para o Senado. Os números são excelentes para ambos, mas recomendam cuidados diferentes: Riedel precisa impedir que o favoritismo se transforme em acomodação; Azambuja, que o primeiro voto de seus aliados se perca no caminho entre a porteira do municipalismo e a urna.

A pesquisa foi realizada entre os dias 14 e 18 de setembro, com 2 mil eleitores de 30 municípios, margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Está registrada na Justiça Eleitoral sob os números MS-04287/2026 e BR-06426/2026. No cenário estimulado para o governo, Riedel aparece com 49%, seguido por Fábio Trad, com 19,5%, Delcídio do Amaral, com 11%, João Henrique Catan, com 3%, e Renato Gomes, com 2,6%. Jefferson Bezerra tem 0,4%, Lucien Rezende, 0,2%, e Daniel Lemes, 0,1%. Brancos e nulos somam 7% e outros 7,2% não souberam ou não responderam.

A primeira impressão pode enganar. Embora tenha ficado um ponto abaixo dos 50%, Riedel venceria no primeiro turno caso a urna repetisse exatamente a fotografia tirada pelo Ranking. Brancos, nulos e indecisos não entram no cálculo dos votos válidos. Retirados esses 14,2%, os 49% do governador se transformam em aproximadamente 57,1%. Portanto, ele não está apenas rondando a linha de chegada: encontra-se mais de sete pontos acima da maioria necessária para liquidar a disputa no dia 4 de outubro.

Não há, entretanto, a arrancada definitiva que uma leitura apressada poderia sugerir. Na pesquisa anterior do mesmo instituto, divulgada em 10 de setembro, Riedel tinha 48%. Agora tem 49%, variação de apenas um ponto, dentro da margem de erro. Fábio Trad passou de 20,1% para 19,5%, Delcídio foi de 10% para 11%, Catan recuou de 4,2% para 3% e Renato Gomes permaneceu nos mesmos 2,6%. Em outras palavras, a eleição não sofreu uma sacudida; apenas consolidou o desenho que já vinha apresentando. Riedel continua muito à frente e seus adversários continuam brigando não para alcançá-lo, mas para decidir quem chegará menos distante.

A pesquisa espontânea reforça essa estabilidade. Sem que os nomes sejam apresentados, Riedel aparece com 27%, Fábio Trad com 12% e Delcídio com 6%. No levantamento anterior, tinham, respectivamente, 26,4%, 11,6% e 5,2%. Os movimentos são pequenos, mas revelam algo importante: o governador não depende apenas da cartela mostrada pelo entrevistador. Mais de um quarto do eleitorado lembra seu nome por conta própria, enquanto o candidato petista ainda precisa transformar a ligação com Lula, reforçada pela visita de Guilherme Boulos ao Estado, em crescimento capaz de ameaçar a resolução da eleição no primeiro turno.

Na coletiva concedida em Dourados, Riedel foi perguntado sobre uma frase ouvida ainda na pré-campanha, quando um escolado coordenador de campanha do time de Londres Machado disse que campanha sem adversário não teria graça. Negou trabalhar com a eleição ganha, reconheceu os oito concorrentes e afirmou que continuará numa linha propositiva, mostrando o que fez e o que pretende fazer num eventual segundo mandato. A nova pesquisa não desmente essa prudência. Ao contrário: mostra por que ela é necessária. O governador não precisa inventar um adversário para dar graça à campanha; precisa evitar que uma vantagem tão grande retire dela a atenção.

Se a corrida pelo governo parece encaminhada, a eleição para o Senado continua oferecendo uma matemática mais traiçoeira. No primeiro voto estimulado, Azambuja lidera com 32,5%, seguido por Contar, com 22%, e Vander Loubet, com 19,8%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos, Contar e Vander permanecem tecnicamente encostados na disputa pela segunda vaga. Soraya Thronicke aparece com 9%; os demais candidatos não passam de 1%.

No segundo voto, Azambuja também lidera, com 31%, mas Contar sobe para 29% e Vander cai para 15%. Esse é o cenário mais confortável para a chapa governista: Reinaldo preserva a dianteira e o bolsonarista abre vantagem maior sobre o petista. Ainda assim, o primeiro voto confirma que Vander permanece vivo e suficientemente próximo para continuar assombrando o palanque montado pelo PL.

Na coletiva, Azambuja contestou a informação de que dezenas de prefeitos estariam apoiando Vander. Disse que não chegam a dez e classificou parte dessas adesões como “apoio fake”, sem correspondência efetiva nas ruas. Os números mais recentes lhe oferecem algum argumento: ele lidera os dois votos, enquanto Contar avança justamente na segunda escolha, território onde o petista pretendia crescer na garupa dos prefeitos governistas. Mas a conta ainda não está inteiramente fechada. No primeiro voto, a distância entre Contar e Vander é de apenas 2,2 pontos — exatamente o tamanho da margem de erro.

A eleição para o Senado tem uma peculiaridade capaz de enlouquecer qualquer dono de curral eleitoral: cada eleitor dispõe de dois votos, mas não é obrigado a seguir a dobradinha oferecida pelo partido, pelo governador ou pelo prefeito. O bolsonarista raiz pode votar em Contar e esquecer Azambuja. O eleitor municipalista pode escolher Reinaldo e entregar o segundo voto a Vander. O petista pode votar em Vander e aproveitar a segunda escolha para premiar uma relação local. A urna permite combinações que jamais aparecerão inteiras em fotografia de palanque.

Riedel, portanto, tem motivos matemáticos para acreditar no primeiro turno, mas faz bem em manter os dois pés no chão. Azambuja tem razões políticas para confiar na liderança, mas também acerta ao deixar o terno no cabide. A pesquisa confirma o favoritismo de ambos, porém estabelece uma diferença fundamental entre eles: se a eleição fosse hoje e reproduzisse os números do Ranking, Riedel estaria reeleito; Reinaldo continuaria precisando olhar pelo retrovisor.

Em 2014, como lembrou o ex-governador ao contrapontoMS, seu adversário, o então petista Delcídio do Amaral, comprou o terno, escolheu o secretariado e esqueceu de combinar com o eleitor. Doze anos depois, a lição continua válida. Pesquisa pode tirar as medidas, escolher o tecido e até reservar horário no alfaiate. Quem autoriza levar o terno para casa, porém, ainda é a urna.

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