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terça-feira, junho 23, 2026

Governo não deve interferir na Justiça, diz Moro após gravações de Jucá

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23/05/2016 – 15h51

O juiz Sergio Moro não quis comentar a gravação revelada pela Folha de S. Paulo nessa segunda-feira (23) em que o ministro Romero Jucá sugere um pacto para deter o avanço da Operação Lava Jato. “Não tenho comentário específico sobre essa situação porque não estou totalmente a par”, disse Moro. Ele também defendeu que assuntos pertinentes à Justiça não devem ter interferência do governo e vice-versa. “Não deve haver nenhuma interferência do governo. Os trabalhos devem ser independentes”, disse.

Moro é um dos convidados para um debate no Fórum Veja, evento promovido pela revista nesta segunda em São Paulo. O ministro do STF Luis Roberto Barroso, que participou do debate com Moro, negou que Jucá tenha influência sobre os ministros do tribunal, como sugeriu o político na gravação, mas afirmou que recebe todos para audiências.

“É impensável que alguém tenha essa capacidade de paralisar as investigações. E que qualquer pessoa pode ter acesso a ministro do Supremo para parar as investigações. O ministro que chega ao Supremo só responde a sua biografia e a mais ninguém”, disse Barroso.

Questionado sobre a Lava Jato perder fôlego, Moro afirmou que “a Lava Jato não é um seriado, existe um trabalho de investigação feito entre quatro paredes”, e que a operação continua normalmente.

Perguntado pelo mediador, o jornalista da “Veja” André Petry, se ele acredita que um governo com sete envolvidos na Lava Jato fará algo para combater a corrupção, Moro disse que a postura possível de ser tomada, que cabe no enfrentamento desse caso de corrupção, é a aprovação de medidas de combate a corrupção defendidas pela força-tarefa de Curitiba.

O mediador foi aplaudido quando disse que recebeu da plateia muitos papéis com a questão de quando o ex-presidente Lula seria preso.

“Se esse processo voltar, vai ser tratado com fatos e provas e sem influência de um eventual sentimento ou expectativa nesse sentido”, resumiu.

Barroso disse que as pessoas não devem acreditar que determinadas prisões mudaram a situação e defendeu que o que tem de ser revisto é o atual modelo político.

No início de sua fala, Moro afirmou que “é difícil dimensionar a corrupção, mas que quando os casos são revelados e a Justiça não dá uma resposta, é um incentivo para esse comportamento”.

Também destacou a importância da iniciativa privada, afirmando que ela deve se negar a entrar no esquema de propinas. “A Justiça não é o único remédio para vencer a corrupção. Tem que haver uma ação conjunta com associações públicas e privadas.”

Ele finalizou sua fala enfatizando que “os trabalhos da Justiça continuam e que a expectativa é que a sociedade aproveite a oportunidade do momento para incorporar o combate a corrupção de uma maneira mais duradoura”.

SEGURANÇA

O juiz Moro não quis revelar se já foi alvo de ameacas e também se negou a dizer quantos seguranças o acompanham.

“A regra de ouro é não falar sobre a segurança”, disse.

Em uma palestra em São Paulo há cerca de dois meses, o juiz estava acompanhado por mais de dez seguranças e o público não foi autorizado a gravar a sua fala.

Governo não deve interferir na Justiça, diz Moro após gravações de Jucá

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