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Delcídio diz que Machado e Renan tinham ‘esquemão’ para atender PMDB

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29/05/2016 – 18h24

Segundo senador cassado, os dois atendiam interesses da sigla no Senado. Assessorias de Renan e Machado não se manifestaram sobre o caso.

Ex-líder do governo no Senado, o senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS) disse neste sábado (28) em entrevista à jornalista Andreia Sadi, da GloboNews que o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado era “prioridade absoluta’’ do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na residência oficial do peemedebista. Delcídio relatou episódios em que o presidente do Senado suspendia reuniões com outras pessoas para atender Machado.

Segundo o parlamentar cassado, as reuniões de Renan com Machado, que também fechou acordo de delação premiada, na residência oficial “eram frequentes’’. Ele diz que a dupla formava um ‘’esquemão fidelizado’’. De acordo com Delcídio, Sérgio era “blindado pelo Renan”. “Ninguém encostava nele. Sérgio era totalmente fidelizado a Renan’’, disse. “Sérgio era o cara que fazia a interlocução com os donos das empresas, e outros operavam financeiramente para Renan”, completou.

Para manter o que chamou de “hegemonia”, segundo Delcídio, Renan usava o ex-presidente da Transpetro para atender outros parlamentares da cúpula do PMDB no Senado, como Romero Jucá (RR), Valdir Raupp (RR), José Sarney (AP) e Edison Lobão (MA).

Machado ficou mais de dez anos na presidência da Transpetro indicado por Renan. Na semana passada, foram divulgados áudios em que ele gravou conversas comprometendo a cúpula do PMDB do Senado.

Abaixo os principais trechos da entrevista:

Como ex-líder do governo e com trânsito com todos os senadores, o senhor tinha acesso livre à residência oficial do Senado e na presidência. Sérgio Machado frequentava a residência oficial? O senhor já testemunhou a presença dele com Renan?

Eu estive. Mas o Renan blindava demais o Sérgio. O Sérgio era uma pessoa que ninguém encostava nele. E ele também fazia questão de não dar nenhuma ousadia para ninguém. Ou seja, Sérgio era fidelizado a Renan. Para você ter uma ideia, eu estava conversando com Renan, na residência oficial, o Sérgio chegava, e o Renan suspendia a reunião e atendia Sérgio numa saleta que tinha na entrada na casa. Ele nem esperava. Era despacho rápido, eles conversavam, e o Sérgio ia embora. Não dava nenhuma oportunidade de o Sérgio se integrar ou conversar ou ficar junto com o pessoal.

O senhor está falando de que período?

Mais recentemente, no ano passado, até quando o Sérgio saiu da Transpetro (fevereiro de 2015) isso era frequente. Eu mesmo estive em algumas situações em que o Sérgio chegou lá, Renan o recebia e a gente ficava ali esperando até ele ir embora.

Sérgio era prioridade absoluta de Renan, então?

Absoluta. Ele era o único cara que Renan tinha ascendência direta.

E do que eles tratavam?

Eu não presenciei, mas normalmente eram as operações da Transpetro. Todo mundo sabia. Sérgio era o cara que fazia a interlocução com os donos das empresas e outros operavam financeiramente para Renan.

Quem?

Eu prefiro não falar agora, ainda.

E o senhor tinha relação com Sérgio?

Falava [com Machado] porque ele foi do PSDB, eu também. Eu tinha relação com ele desta época, tinha um aproximação natural com ele. Então, falava com ele e tal, mas eu nunca vi um esquema tão fidelizado de uma indicação política com alguém que indica como essa relação de Renan com Sérgio. E olha que eu conheço muita gente, é impressionante.

O que o senhor quer dizer com fidelizado?

Fidelizar é o seguinte: é um esquemão mesmo. Uma operação restrita, onde eles tinham controle absoluto e agiram com muita competência. Porque ninguém fica mais de dez anos na Transpetro.

Então, na avaliação do senhor, Machado pode detalhar outras operações envolvendo a cúpula do Senado?

Essas conversas que foram divulgadas, isso é ‘peanuts’ perto do que vem, Sérgio tinha todo controle. É um perigo, por isso o povo está apavorado: ele sabia de tudo. Ele era o cara do Renan e o Renan. Para garantir a hegemonia, atendia outros senadores do núcleo do PMDB que sempre comandou o Senado, através do Sérgio.

Renan e Machado - criador e criatura; delatado e delator

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