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Campanha eleitoral já come solta nas redes sociais

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07/06/2016 – 10h36

Até nisso Délia Razuk dá sorte. Nem bem começou a campanha eleitoral e o Timão – o Sport Club Corinthians Paulista – embalou de novo rumo ao título de bicampeão brasileiro. Com esta bandeira roubada pela adversária, mas também corinthiano, Geraldo Resende lançou mão do mais básico dos estereótipos, deixando de lado a contumaz sisudez e, aproveitando sua condição de pai de temporão, pegando no colo, todo faceiro, também os filhos dos eleitores. O são-paulino Renato Câmara, para não ficar muito atrás na classificação, resolveu inovar o esquema tático: além de montar uma tenda no fundo de seu escritório político, para onde pretende arrastar as lideranças de bairro para a discussão de seu plano de governo, nesses tempos de Lama Asfáltica e de Lava Jato começando pela catequização de seus candidatos a vereador, principalmente com “orientações jurídicas e aspectos contábeis e financeiros da campanha”.

Já vão longe, como se vê, os tempos em que candidatos e eleitores aguardavam com ansiedade o início do horário gratuito no rádio e na TV para o pontapé inicial da campanha política, data que servia como divisor de águas para se saber quem era quem. Quanto mais a Justiça Eleitoral encurta os prazos para o início oficial da veiculação da propaganda eleitoral nesses veículos, mais cedo ela começa nas redes sociais. E, diante da analogia futebolística deste texto, sendo caso de recorrer à pergunta do sempre chato e ufanista Galvão Bueno a seu colega de narrações esportivas, o juiz hoje comentarista de arbitragem: isso pode Arnaldo? Nas redes sociais pode! Quase tudo, claro.

Nenhum pecado, ou crime eleitoral, aparecer no Facebook, no Twitter ou viralizar pelo WhatsApp informações ilustradas com fotos como a de Délia Razuk com a bandeira do time do coração, de Geraldo Resende tomando o filho de um eleitor emprestado neste hercúleo esforço de sua equipe de marketing para vender um candidato mais humanizado ou do recém-chegado Renato Câmara tentando mostrar intimidade com os problemas da comunidade douradense. O problema é que a tal de rede social é uma “faca de dois legumes” e uma derrapada, mesmo que não seja na lama asfáltica de André Puccinelli, pode ser fatal.

O melhor e mais recente exemplo: a equivocada tentativa de Geraldo Resende de afugentar seus adversários com fotos na companhia do chefe do Tesouro estadual, também numa reunião com pré-candidatos a vereador. Tudo bem que Márcio Monteiro é também o presidente estadual do partido de seu mais recente retorno, o PSDB. Mas precisava tanta ostentação? Sem contar que, como papagaio de pirata lá estava o “governador regional” Valdenir Machado com seu complexo de viúva Porcina (que foi sem nunca ter sido), exatamente pelo tanto que exagerou na dose, nessa mesma mídia social, quando de sua nomeação para uma sinecura como simples chefe do que era para ter sido um escritório para atender a demanda da clientela política em Dourados. Pior que isso só quando cabos eleitorais mal informados, muitos travestidos de assessores, e na ânsia de fazer média com os patrões, desandam a escrever asneiras e a fomentar debates para os quais não estão preparados.

Para não dizer que não falei dos nanicos, Wanderlei Carneiro, com seu indefectível boné, abunda nas imagens que para o agora também pré-candidato cristão Braz Melo são as que melhor retratam o espírito indolente dos douradenses: nas cadeiras de fios que compõem as rodas de tereré; Elízio Brites, em vez de calçar uma botina e amassar barro na periferia curtindo seus dias de Narciso; Marcelo Mourão, à lá Marçal Filho, também posando de galã, sempre enclausurado num estúdio de rádio e Ênio Ribeiro, mais singelo e professoral, aproveitando-se da condição mais coerente de seu PSOL para sua pregação doutrinária, sem maiores espalhafatos. Menos mal para quem não vai poder vender seu peixe na Globo, só tendo o traço de audiência da TV do Pastor RR Soares quando chegar a hora do fatídico horário eleitoral gratuito.

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Délia Razuk, Geraldo Resende e Renato Câmara, em campanha, pelo Facebook

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