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quarta-feira, junho 10, 2026

TJMS terá que devolver penduricalhos

Decisão ocorre após auditoria feita na folha de pagamento do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que encontrou irregularidades em benefícios como férias e 13º salário

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) devolva pagamentos indevidos feitos a magistrados, os chamados “penduricalhos”. A decisão é do ministro Mauro Campbell Marques e foi publicada na última segunda-feira (8).

Conforme o documento, a medida tem o objetivo de corrigir falhas administrativas identificadas em auditoria realizada por um Grupo de Trabalho do CNJ em maio deste ano. Não há informações sobre o montante a ser devolvido.

Para concluir a regularização, o tribunal estadual foi autorizado a efetuar descontos diretos na folha de pagamento durante os meses de junho e julho. Por fim, o TJMS deverá apresentar um comprovante de quitação integral dos débitos para encerrar o processo.

🔎 Os chamados “penduricalhos” são pagamento de verbas indenizatórias que se somam aos salários e, na prática, elevam a remuneração de servidores acima do teto constitucional. No fim de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu critérios para os pagamentos dessas verbas para os magistrados e integrantes do Ministério Público, a fim de reduzir gastos.

Resultado da auditoria

Segundo o relatório da auditoria, foram encontradas irregularidades na base de cálculo de benefícios como abono pecuniário, abono de férias, gratificação natalina (13º salário), férias indenizatórias e licença compensatória.

A análise foi feita nas folhas de pagamento de magistrados ativos, inativos e pensionistas referentes ao mês de abril de 2026.

Entre os exemplos citados no relatório, está um pagamento feito a um juiz auxiliar que recebeu R$33 mil a mais do que o apontado como correto pela auditoria.

De acordo com o CNJ, o TJMS incluiu a rubrica “Indenização de cargo” no cálculo dessas verbas. A corregedoria afirma que a parcela é temporária e, por isso, não deveria entrar na base usada para calcular as indenizações, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Entenda a cronologia

  • 13 de maio de 2026: Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) institui grupo de trabalho para realizar auditoria nas folhas de pagamento do TJMS.
  • 21 de maio de 2026: CNJ manda TJMS refazer cálculo de verbas após auditoria na folha de pagamento.
  • 10 de junho de 2026: CNJ determina devolução dos pagamentos de penduricalhos aos magistrados.

Auditoria aponta diferença nos valores

A auditoria também apontou uma possível cobrança em duplicidade do terço constitucional de férias nas férias indenizatórias. Segundo o relatório, o cálculo aplicava novamente um adicional que já estaria incluído em outra parcela da fórmula.

O CNJ apresentou exemplos de valores pagos acima do considerado correto pela auditoria. Em um dos casos analisados, as férias indenizatórias calculadas pelo TJMS chegaram a R$ 104,4 mil, enquanto o valor apontado pelo CNJ foi de R$ 87,8 mil, diferença de R$ 16,5 mil. Também foram identificadas diferenças em pagamentos de 13º salário, abono de férias e licença compensatória.

Os cinco maiores valores pagos a mais foram reunidos pelo CNJ em uma tabela:

Cinco pagamento analisados pelo CNJ

VerbaCalculado (TJMS)Correto (CNJ)Diferença (a mais)
Abono pecuniário (10 dias)R$ 30.559,44R$ 27.025,22+ R$ 3.533,62
Abono de férias (30 dias)R$ 22.919,58R$ 20.269,37+ R$ 2.650,21
Gratificação natalina (13º salário)R$ 68.758,54R$ 60.808,10+ R$ 7.950,64
Férias indenizatórias (30 dias)R$ 104.411, 42R$ 87.833,92+ R$ 16.577,50
Licença compensatória (10 dias)R$ 26.102,85R$ 23.231,79+ R$ 2.871,06

Fonte: CNJ

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