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quarta-feira, agosto 12, 2026

Focado na reeleição, Lula se reaproxima de Alcolumbre e Motta para aprovar pautas antes do primeiro turno

Governo estreitou o diálogo com a cúpula do Congresso nas últimas semanas em uma tentativa de dar prosseguimento à agenda prioritária do Planalto

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O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estreitou o diálogo com a cúpula do Congresso nas últimas semanas em um movimento que combina interesses eleitorais e a tentativa de aprovar a agenda prioritária do Palácio do Planalto no Legislativo antes do primeiro turno. A avaliação do entorno do petista é que é preciso avançar com temas de forte apelo popular, a exemplo da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6×1, para usá-las como vitrine na campanha de reeleição. Na mesma frente de negociação, há a expectativa entre os atuais chefes do Congresso de conseguir acertar o apoio do presidente da República para serem reconduzidos à frente da Câmara e do Senado no próximo biênio.

Na semana passada, Lula se reuniu com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), separadamente.

Com Motta, como o jornal O Globo antecipou, a conversa girou em torno da decisão do Republicanos de se manter neutro na disputa nacional, numa vitória para os governistas. Também participaram do encontro o presidente da sigla, Marcos Pereira (SP), o ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e o presidente do PT, Edinho Silva.

Apelo por apoio na Paraíba

Ali, no entanto, houve também uma sinalização de que o deputado quer ter apoio do PT e de Lula para sua recondução à frente da Câmara. A eleição será em fevereiro de 2027, mas o parlamentar já está mobilizado nos bastidores em busca dos apoios. Motta também declarou publicamente que apoiará Lula nas eleições de outubro. Por trás desse gesto, há também o interesse do presidente da Câmara em eleger seu pai, o ex-prefeito Nabor Wanderley (Republicanos), para uma vaga ao Senado pela Paraíba.

Apesar de Wanderley integrar a chapa que Lula apoia no estado, o presidente da República já afirmou publicamente que seus candidatos ao Senado no estado são o ex-governador João Azevêdo (PSB) e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que busca a reeleição. Um integrante da campanha do petista diz, no entanto, que Wanderley é visto como aliado de Lula e que não descarta um gesto na campanha.

Outro aliado de Lula diz que o caminho para eventual apoio à recondução de Motta está avançado, citando o empenho do parlamentar para aprovar a agenda governista nos últimos meses, a aproximação das duas autoridades e os gestos que ele vem dando de apoio ao presidente.

Com Alcolumbre, por sua vez, o cenário ainda é incerto. O senador e Lula se reuniram pela primeira vez na semana passada após mais de três meses sem se falarem. O encontro foi costurado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula e Alcolumbre se afastaram após o Senado impor uma derrota histórica ao petista com a rejeição da indicação de Jorge Messias a uma vaga no Supremo. O Planalto acredita que Alcolumbre foi responsável por orquestrar essa derrota do chefe da AGU.

Um interlocutor frequente de Lula diz que há desconfianças com a postura do presidente do Senado e afirma serem necessários gestos dele para distensionar a relação, mas ressalta que a retomada do diálogo institucional é importante para avançar a agenda no Congresso. Há uma expectativa entre governistas de que um novo encontro entre as duas autoridades ocorra hoje. A ideia da reunião é buscar pavimentar a aprovação da agenda prioritária.

Como informou a colunista Bela Megale, também do jornal O Globo, aliados de primeira hora de Alcolumbre afirmam que o presidente do Senado tem inclusive mudado o tom em relação à possibilidade de apoiar o indicado de Lula ao STF. Em um movimento de aproximação, Alcolumbre já não apresentaria a mesma resistência que demonstrava há poucas semanas contra o nome de Messias.

Desafio no Amapá

Alcolumbre também buscará a reeleição à frente do Senado em 2027, com uma Casa que passará por uma renovação de dois terços das cadeiras em outubro. A avaliação é que neste ano deverão ser eleitos mais senadores da direita bolsonarista, o que preocupa o entorno do presidente do Senado.

No meio de seu mandato, Alcolumbre não disputará eleições neste ano, mas está focado em ajudar seu aliado, o governador Clécio Luís (União Brasil) a se reeleger, buscando fortalecer seu grupo político para a sua eleição em 2030 — e com o apoio de Lula. O cenário no estado, no entanto, é desafiador: o governador aparece atrás nas pesquisas de intenção de voto contra o adversário político de Alcolumbre, o ex-prefeito Dr. Furlan (PSD).

Aliados de Alcolumbre dizem que também passou pelas mãos dele a decisão de o União Brasil ficar neutro na disputa presidencial, e que isso deve ser interpretado como um gesto a Lula. O União formou uma federação com o PP e os dois partidos chegaram a sinalizar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na corrida, mas desistiram.

Petistas dizem que essa decisão passou mais pela avaliação dos cardeais do Centrão de que Lula tem mais chances de sair vitorioso do que por um gesto ao presidente. Mas reconhecem que a neutralidade dessas siglas é um componente importante, porque, entre outros motivos, não aumenta o tempo de televisão de Flávio Bolsonaro (PL) numa eleição que será muito acirrada.

Neste contexto, o PT já conversa com integrantes de partidos do Centrão sobre um eventual espaço dessas siglas num governo Lula 4. A abordagem é importante para trazer mais forças políticas num provável segundo turno. Para toda a articulação feita pelo Planalto avançar, porém, é preciso que haja gestos recíprocos imediatos. Em reunião com a bancada do PT na Câmara, Edinho Silva disse que, para Alcolumbre de fato se aproximar de Lula, por exemplo, era preciso que ele aprovasse as pautas de interesse do Planalto: além da PEC do fim da escala 6×1, prioridade número 1, a PEC da Segurança Pública e o projeto que cria regras e busca incentivar a indústria nacional na exploração dos minerais críticos.

O próprio presidente reforçou o coro com uma publicação nas redes, afirmando que “os trabalhadores do nosso país não podem mais esperar” e “chegou a hora de aprovarmos” o fim da escala 6×1.

O governo quer aproveitar as duas semanas de esforço concentrado no Congresso para destravar esses projetos. Além desta semana, também haverá sessões entre os dias 31 de agosto e 3 de setembro.

Atraso em tema delicado

Outro tema acompanhado de perto pela articulação petista é a medida provisória (MP) que acaba com a “taxa das blusinhas”, a cobrança de 20% sobre compras internacionais. Tema de desgaste do Planalto, ela precisa ser votada até o dia 8 de setembro para não perder a validade, e ainda é preciso instalar comissão mista (formada por deputados e senadores) para analisar o texto, antes de ele ser votado nos plenários das duas Casas.

Em um gesto ao Planalto, Motta afirmou na terça-feira que pretende discutir a instalação da comissão mista com Alcolumbre. O presidente da Câmara também classificou o projeto que permite a redução de impostos sobre os combustíveis como uma “pauta prioritária do governo” e afirmou que pretende aproveitá-la para incluir outros temas de interesse do Planalto, como medidas de estímulo à produção de fertilizantes e questões relacionadas a minerais críticos.

— A pauta prioritária do governo é o PLP dos combustíveis — disse Motta.

Victoria Azevedo/O Globo — Brasília

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