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sábado, agosto 22, 2026

A assombração que ronda a ‘chapa da morte’

Carlos Bernardo ainda não aparece entre os ponteiros da disputa federal, mas seus votos podem fazer falta justamente aos favoritos da federação de Rose, Geraldo, Dagoberto e Dr. vando

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Valfrido Silva

Mal começamos a escarafunchar as possibilidades dos candidatos a deputado federal por Mato Grosso do Sul e uma primeira assombração aparece justamente naquela que promete ser uma das mais ferozes nominatas da eleição. O empresário Carlos Bernardo, candidato pelo União Brasil, corre novamente o risco de ficar pelo caminho antes que as urnas sejam abertas. A Procuradoria Regional Eleitoral pediu a impugnação de seu registro por causa daquela velha pendenga envolvendo uma doação eleitoral acima do limite legal, a mesma história que já lhe custou a candidatura a deputado federal em 2022. O caso ainda aguarda julgamento no TRE-MS.

Bernardo conhece bem esse calvário. Em 2022 tentou chegar à Câmara pelo MDB, teve o registro indeferido e a decisão acabou mantida pelo TSE. Dois anos depois voltou à arena, desta vez para disputar a Prefeitura de Ponta Porã pelo PDT, enfrentou novamente questionamentos sobre sua elegibilidade, conseguiu reverter a situação no TRE-MS, foi às urnas e perdeu a eleição. Depois ainda passou pelo PT, de onde saiu em março deste ano para desembarcar no União Brasil, retornando politicamente ao campo governista justamente para tentar novamente uma cadeira em Brasília.

“E aí que é que surge o pobrema”, como diria seu velho conhecido da Vila Maxwell, Manoel Torquato. Se Carlos Bernardo não estivesse no mesmo balaio de Rose Modesto, Geraldo Resende, Dagoberto Nogueira e Luiz Ovando, sua encrenca jurídica interessaria principalmente a ele próprio. Só que eleição proporcional é essa coisa maravilhosa em que um candidato torce para ficar na frente do companheiro e, ao mesmo tempo, precisa desesperadamente dos votos dele para que o partido ou federação fabrique cadeiras.

Carlos Bernardo não aparece, pelo menos até agora, como um dos grandes ponteiros da eleição. Mas também está longe de poder ser tratado como mero enfeite. Empresário forte na fronteira, ligado à Universidade Central do Paraguai e a outros negócios, declarou patrimônio de R$ 28,7 milhões à Justiça Eleitoral e chega à campanha com estrutura e potencial para integrar aquele segundo pelotão que pode não conquistar uma cadeira, mas produzir votos preciosíssimos para quem estiver na frente.

É exatamente aí que Rose, Geraldo, Dagoberto, Ovando & Cia. começam a olhar para a pendenga do colega com um sentimento eleitoral bastante contraditório. Carlos Bernardo é adversário dentro da chapa, mas seus votos também pertencem ao mesmo balaio. Se ficar, disputa posição com eles. Se sair, pode levar junto uma quantidade de votos capaz de fazer falta justamente na hora da divisão das cadeiras e, principalmente, das nossas famosas rebarbas.

É a primeira grande ironia que esta série contrapontiana encontra antes mesmo de arriscar seus prognósticos. Carlos Bernardo pode não conseguir votos suficientes para ir a Brasília. Mas pode conseguir justamente os votos que faltariam para mandar outro em seu lugar. E, se a Justiça retirá-lo novamente da corrida, talvez descubramos que numa eleição proporcional até candidato que não se elege pode fazer uma falta danada. Principalmente para quem pretendia se eleger com os votos dele.

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